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O que Achei de: Scandal - 1×01 (ABC)

Prepotente, abusada e intrigante.


Prepotente, abusada e intrigante.

Estas são as três palavras que definem Scandal. Shonda Rimes, a criadora de Grey’s Anatomy (dentre outras séries), é adepta fiel da filosofia e da moralidade em sua obras. Se você assiste Grey’s, é fácil perceber que em cada episódio Meredith (Ellen Pompeo) narra suas descobertas, vivências e opiniões, sempre deixando para os telespectadores um gostinho de “aprenda com isso”. É este o caminho de Scandal.

A (gritante) diferença é que aqui a protagonista é uma divindade. Ela define suas regras e as regras de todos ao seu redor. Olivia Pope (Kerry Washington) vive no mundo que quer, alcança o que quer, e faz as pessoas serem como ela quer. Sua prepotência e atitude arrogante são tão grandes que, no mínimo, este exagero foi intencional por parte de Shonda.

Já no piloto vemos que esta personalidade dominante não passa de uma máscara. Seus funcionários vivem repetindo que certas coisas “não existem” porque a patroa “não acredita nelas”. O choro, por exemplo, é um dos fenômenos em que ela não “acredita”. O que logo se revela uma baita mentira. Ela não só tem muitas lágrima a derramar como precisa se esconder para chorar.
O motivo de seu choro é o amor ao presidente dos EUA, Fitzgerald Grant (Tony Goldwin), seu antigo patrão. Casado e líder da nação mais poderosa do mundo, ele ainda corresponde aos sentimentos dela. No entanto, sábia como é, Olivia se afasta do seu amante pois reconhece que não há espaço para ela na vida dele.

Grant é aquele tipo de presidente que é mais homem humano que homem político. Ele não mede as consequências do que faz, especialmente por ter pessoas como Pope que trabalham para apagar tais consequências. A atuação de Goldwin não deixa a desejar se é isto mesmo o que Shonda quer. Mas para um presidente dos Estados Unidos, Fitzgerald não é nem um terço do que precisava ser. Além disso, agora que Olivia declarou guerra contra ele, ou ele aprende a ser um homem de verdade, ou ela o esmagará.

Aliás, o motivo da guerra é outro tópico que merece discussão. Olivia se sentiu ofendida depois de ter massacrado a nova amante de Grant e ter acreditado na palavra dele sobre o caso. O “Sweet Baby” do título se refere ao apelido amoroso que Pope pensava que o presidente dedicava só à ela. Mero engano, claro. Este acontecimento serviu para destacar a inocência da nova funcionária de Pope, Quinn Rielly (Katie Lowes), e também para mostrar que para a gestora de crises tudo depende de sua “intuição”.

Quinn é o personagem-contraste na série. Diferente de seus colegas de trabalho, ela ainda possui inocência, qualidade que Olivia não tem e está disposta a tirar da novata (vide o momento em que a patroa fez Rielly de “testemunha”). Quinn será a aprendiz e a humanidade dentro do escritório. Já tivemos um exemplo disso no caso da amante do presidente. Ela acreditou na mulher e levou Olivia a ver a verdade.

Harrison Wright (Columbus Short) é o que mantém o bordão “gladiadores de terno” vivo. Ele fala e acredita, assim como Huck (Guillermo Días, o Guillermo de Weeds), que não poupou palavras ao falar para Quinn sobre a maravilha que é Olivia Pope.

Henry Ian Cusick entra como o braço direito de Olivia (e galã da série). Stephen Finch é o completo oposto do Desmond de Lost. A única certeza que Desmond tinha na vida era de que ele amava e era amado. Finch, por outro lado, não tem maior dúvida na vida do que o amor. Praticamente todas as suas cenas no piloto eram dele pedindo conselhos amorosos à Olivia, o que deixa claro sua imensa insegurança.

Se este tipo de personagem é fundamental para Scandal eu ainda não sei, mas ver Henry interpretando um homem que não consegue pedir sua namorada em casamento sem antes receber um discurso amoroso da amiga não foi nada bom. Sem contar que Abby Whelan (Darby Stanchfield), que trabalha bem do lado dele, suspira pelo colega de todas as formas possíveis. E Stephen nem nota nada…

A série será procedural com uma crise por semana para a equipe de Olivia “arrumar”. Em “Sweet Baby” tivemos o resgate de um bebê sequestrado e o herói nacional que, para se livrar da acusação de assassinato da namorada/amiga, teve que confessar sua homossexualidade. Desde cedo, Shonda Rimes já toca no ponto fraco americano. E o faz muito bem.

A apresentação de Scandal conseguiu cumprir o que devia. A aura ao redor da protagonista é um tanto exagerada, os discursos de “acredite em Olivia” por vezes soam (muito) bestas, mas é provável que Rhimes tenha um propósito para isso. A única observação que faço é sobre a idade de Pope. Para uma mulher tão sábia, temida e boa em seu trabalho, é de se esperar que ela tenha mais anos de experiência. A escolha de Kerry para o papel talvez tenha falhado neste ponto, porém sua convicção na pele de Olivia pode acabar nos convencendo do contrário.

A audiência na estreia não foi tão alta quanto a ABC desejava, no entanto, é óbvio que Scandal tem potencial. Se fosse para definir a série, eu diria que ela é um amontoado de Veronicas Mars e Kalindas, o que, claro, não tem como não ser bom. Resta esperar que a audiência americana reconheça isto, e que Shonda Rhimes leve seus personagens para o caminho do incomum, obtendo o êxito que conseguiu em suas demais obras.
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