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Scandal - 1×06/07 - The Trail / Grant: For the People (Season Finale)

Grant: o homem cercado de loucura.


Grant: o homem cercado de loucura.

Scandal se firma como uma típica série de Shonda Rhimes, onde sempre há tragédia, amor verdadeiro e filosofia. Porém, nesta obra, a showrunner se sobressaiu. Diferente de suas outras séries, aqui os personagens giram em torno de Grant, loucos por ele ou loucos para acabar com ele. E o centro de tudo, o homem mais poderoso do mundo, não poderia ser mais ingênuo, bobo, inocente, atrasado e qualquer outro adjetivo que descreva sua reação de abobalhado todas as vezes que alguém toma uma bala por ele.

Vamos então falar dos três elementos das séries de Shonda: tragédia, amor verdadeiro, filosofia. Atragédia consistia em saber quem era o vilão por trás da chantagem ao presidente, o cúmplice de Amanda e o assassino dela. No entanto, fica claro que são duas pessoas que dividem as tarefas destas vilanias, com Billy Chambers sendo o cúmplice e o chantagista, e Cyrus o assassino.

Surpreendeu. Nos dois casos. Eu, por exemplo, caí como patinho na armadilha do roteiro. Cogitei Cyrus e a primeira dama apenas, tentando encontrar quais motivos os dois teriam para querer tirar Grant do trono, o que nunca fazia sentido já que eles fazem tudo por Fitz. Às vezes eu pensava na vice-presidente, mas ela nunca demonstrou rancor suficiente para tais ações.

Billy, por outro lado, nunca pareceu como o fanático que se achava um enviado divino cujo propósito era “encaminhar o Plano de Deus“. Vê-lo declarar para Olivia que o presidente “deveria ser julgado pelo que fez. Ele se aproveitou de Amanda, se aproveitou de você, se aproveitou do país inteiro. Ele traiu o povo que o elegeu.” foi quase como um tapa na cara. Ele estava todo o tempo debaixo dos nossos olhos e a gente não via.

O amor verdadeiro chegou tarde nesta história. Homem casado, concorrendo à presidência, se apaixona pela funcionária que corresponde ao sentimento e acaba consumando a traição. Soa patético, soa idiota, mas o romance dos dois finalmente fez sentido. Grant, que eu sempre critiquei por ser tão inconsequente e ficar repetindo “eu te amo, eu te amo” toda hora, acabou me conquistando ao se declarar um covarde por não ter esperado Olivia e se casado com Mellie, uma verdadeira peça rara.
Mellie Grant é tudo, menos o que esperávamos. Já no 1×03, Hell Hath No Fury, ela nos pega de surpresa ao mostrar que não só sabia do caso extraconjugal do marido com Olivia, como chamava Pope para ficar perto dele para “acalmá-lo”. Agora, vemos que no passado ela nem sequer hesitava em mentir, chegando ao ponto de criar a história de um falso aborto só para atrair os votos femininos de um estado. No presente, ela também sabe a verdade sobre Amanda Tanner, e, pasmem, culpa Olivia por ela não ter cumprido o seu trabalho de amante. Sim, o trabalho de amante.

A tragédia continua com Billy indo a público declarar que Grant não presta coisa nenhuma e Tanner foi vítima de seu abuso de poder. Chambers chegou aí depois de lutar bravamente pela “Messias” de sua vida, a vice Sally Langston, e ser derrotado quando tinha a vitória em suas mãos. Assim que Sally cedeu e aceitou a cadeira de segunda de Fitz, Billy tinha o áudio do futuro presidente transando com uma amante – e ele esperou dois anos para encontrar um “rosto” para ela. Engraçado foi a metáfora usada por Langston, de que o joio tem que crescer primeiro para depois ser retirado. Podemos dizer que foi exatamente isto que ocorreu com Billy.

Enquanto ele corria pra lá e pra cá matando Gideon, escapando da prisão, dando entrevistas, difamando mais ainda o nome de Grant, ele crescia e se tornava intocável. Provas de que ele matou o jornalista que o descobriu não tinha. Olivia teve que limpá-las para que não descobrissem a verdadeira identidade de Quinn, que estava presente na cena do crime. Um jeito de alguém impedi-lo de dar entrevistas também não tinha. Talvez Cyrus até teve vontade de chamar seu amiguinho para providenciar um suicídio para Billy, mas com a imprenssa toda em cima dele, qualquer movimento pareceria suspeito.
Mas aí chegou a hora do joio ser cortado. Mellie, sempre afiada com a mentira, “assume” que é a dona dos gemidos do áudio. Para tanto, ela troca mais uma preciosa inverdade pelo seu marido de volta, ou seja, Olivia vai embora para sempre e Grant cai de amores pela esposa outra vez (ah, Mellie…). O corte do joio fica por conta de Huck que, apesar de prometer que não mataria Chambers, encomenta para ele um suicídio com direito a bilhete de despedida.

Pope então “aceita” a proposta da primeira dama porque, a esta altura do jogo, Grant já estava fazendo as malas para sair da Casa Branca, demonstrando quanta importância ele dá ao cargo que possui. Mas como ele está cercado de loucos por ele, Olivia volta a si, à sua loucura normal, e esquece o sonho de que se Fitz renunciasse, os dois poderiam ser felizes para sempre. Assim, ela vai embora para sempre, “devolvendo” o amante para a esposa, o que na verdade não passa de uma baita conversa furada.

No 1×06 vimos que, quando Olivia chegou na vida de Grant, o casamento dele já havia acabado. Fitz e Mellie não se falavam, não transavam, e nem sequer se tocavam em público. Quem é que os fez perceber e mudar isso? Olivia. Quem fez os EUA acreditarem que os dois viviam um conto de fadas? Olivia. Então mesmo que soe distorcido, o amor de Pope e Fitz é genuíno. Veio no tempo errado, no lugar errado. Mas se Mellie quer o marido de volta, não é colocando Olivia longe que ela vai reconquistá-lo. Aliás, como ela mesma sabe, falta de Olivia Pope dá insônia em Fitzgerald Grant. Sem contar que, se ele já saiu de fininho e foi na casa dela uma vez, por que ele não iria de novo?

E mesmo no meio de tamanha tempestade, tenho que admitir que o “um minuto” de contemplação mútua, de fuga da realidade para o sonho de estarem juntos, foi o maior golpe baixo da titia Shonda. Se até aqui Grant não tinha um pingo de simpatia, depois dessa ele já tem muitos pontos positivos por aí. Foi perfeito ver os dois usando este minuto no passado e agora no presente, com Olivia parecendo uma criatura frágil no colo de seu protetor.

A filosofia da série é a mesma da selva: sobrevive aquele que conseguir engolir o seu oponente. Nem Sally conseguiu escapar de ser arrastada para a loucura que cerca o presidente. Sempre ficando de fora do escândalo sexual por causa de seus “fortes valores cristãos”, ela teve que ceder e apoiá-lo porque, no final, não existia valor nenhum, era tudo hipocrisia. Desta forma, ela foi a público declarar que Billy era um louco, tirando dele sua Messias e cravando a última pedra no túmulo da bagunça de Grant. Tudo isso depois de Fitz deixar seu ingênuo escrúpulo de lado e chantagear sua vice com a vida pessoal dela, que estava bem longe daquilo que ela dizia defender.
Outro ponto que não podemos deixar de notar é que no 1×06, o início do que hoje é a “Olivia e Associados”, começou a ser mostrado. Durante a campanha presidencial, com Mellie sendo vítima dos ataques de Billy, Pope reuniu o time dos sonhos: uma recém-divorciada que descontava suas frustrações na cozinha, um ex-CIA em estado de mendicância e um inescrupuloso advogado em condicional.

E, claro, com os poderes de seus heróis ela logo derrubou as suspeitas de que a senhora Grant estava se divertindo fora de casa. O episódio não mostrou, no entanto, Stephen chegando, mas como ele é o braço direito da patroa, deve ter um episódio especial para ele na 2ª temporada. Outro que vale mencionar é James, o marido de Cyrus que, como pudemos ver, antes de se tornar o senhor Beene e um “potencial papai”, era um jornalista que cobria a campanha de Grant.

Quem a gente viu chegar e vai dar o maior trabalho é Quinn. Quinn Perkins não é um nome verdadeiro, e a moça que o usa está fugindo de algo muito perigoso. Pode ser algo que aconteceu à ela, ou algo que ela fez. De uma forma ou de outra, Olivia escolheu protegê-la e David escolheu ser o braço da lei. Ela não vai deixar que toquem na sua protegida, e ele certamente não vai ceder, nem mesmo em nome da nova amizade que surgiu entre ele e Pope. O começo da Season 2, então, deve ter o foco na história de Quinn, nos revelando o motivo de sua nova identidade e mostrando as consequências que isso trará para aqueles quem estiver contra ou a favor dela.

O principal, no entanto, ficará para a nova vida de Grant e Olivia longe um do outro. Será que Mellie conseguirá mesmo o marido de volta? Por acaso este casamento não passou do seu fim há muito tempo? Fitz vai se conformar com a falta de Pope ou irá atrás dela? E Cyrus? Ele vai sair impune do assassinato de Amanda? São muitas perguntas. Vamos ver o que Shonda Rhimes nos responde na 2ª temporada.

Então, abraços e até lá!


Observações:

- Gideon era um ótimo personagem! Eu torcia para ele crescer e se firmar em Scandal. Mas não tem jeito… titia Shonda já começou sua impiedosa execução.

- A bronca de Stephen na patroa foi tudo de bom. Tirando o fato de que Todas querem Stephen, foi bom Olivia acordar e ver que “vida normal é para os fracos”. Ou como Cyrus diz, “Alguns homens não são destinados a serem felizes. São destinados a serem grandes.”.

- Aquele beijo entre Grant e Olivia debaixo da câmara… ainda vai render.
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