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Minhas Impressões: Political Animals (USA)

O preço do poder.


O preço do poder.

A premissa de Political Animals se baseia num elemento muito presente na sociedade americana: os escândalos políticos. Melhor dizendo, em qualquer sociedade existe política e as belas mancadas de seus integrantes. Acontece que na dos americanos  existe um exemplo que até hoje intriga as cabeças pensantes: Hillary Clinton.

Muitos ainda se perguntam o porquê de ela ter ficado com o marido. O escândalo que Hillary enfrentou não foi pequeno. A humilhação que Hillary enfrentou não foi pequena. Seu marido, o homem com quem ela estava casada há vinte e quatro anos, traiu a promessa de fidelidade do casamento deles, expondo sua esposa de forma sem precendetes. O “ampliador” do sofrimento dela foi justamente o poder e tudo o que vem com ele.

Quando se está num casamento simples, perdoar ou não perdoar uma traição é uma questão de opinião do traído. Num casamento público, no caso o do Primeiro Casal, nada é questão de opinião.  Se a vítima do erro decide ficar com quem errou ou não é uma gigantesca decisão, cheia de pormenores e detalhes a serem considerados.

Elaine Barrish (Sigourney Weaver) copiou Hillary e permaneceu com o marido durante as traições. Ciarán Hinds faz o papel de Bud Hammond, o 42º presidente americano, cuja popularidade quase alcançou os céus. Suas puladas de cerca se tornaram tão frequentes, que o povo americano passou a achar “fofa” a sua canalhice. Elena ficou com ele até o fim de seu mandato, enquanto ela foi governadora, e durante a campanha dela para presidente. Depois de não passar das primárias, ela finalmente pediu o divórcio.

Seria como pegar a história de Hillary a partir do momento que esta também perdeu as primárias. Com o divórcio, Elaine passou a apoiar Paul Garcetti (Adrian Pasdar), candidato que ganhou as eleições. Com a ficção copiando mais um pouco a realidade, Paul fez de Barrish sua secretária de Estado, e se aproveita da crescente popularidade dela, adquirida depois do divórcio, para esconder sua incompetência como presidente.

O nome da série, Political Animals, se refere ao ponto principal mostrado: como a política transforma seus integrantes em animais. Elaine, no caso, foi o animal político de seu ex-marido enquanto este estava no poder. Agora que é funcionário de Paul, ela precisa obedecer as estúpidas ordens dele como um cão faria, mesmo que ela saiba fazer muito melhor.

O filho dela, Thomas (T. J.) Hammond (Sebastian Stan), foi o primeiro filho de presidente a se assumir gay enquanto o pai estava no poder. Diante da imprensa e eleitores ele ficou inteiro, mas sua tentativa de suicídio revelou que o rapaz não conseguiu sobreviver à pressão. O outro filho, Douglas Hammond (James Wolk), é o braço direito da mãe, participou de sua campanha e trabalha com ela na Secretaria de Estado, mas não consegue se livrar da dominação que Elaine impõe, “presente” que se estende à sua noiva.

Todos eles funcionam como se fossem domesticados pelo poder, vivendo por ele, em função dele, e com medo dele. A presença de Susan Berg (Carla Gugino) está na série para evidenciar isto. Ela é a jornalista que mais atingiu a família Hammond, e mesmo depois de ser banida da presença deles, ela consegue chantageá-los para voltar. Mas Susan não é apenas a algoz, ela admira Elaine e acaba sendo um reflexo dela, enquanto consegue a proeza de ser a antagonista e a aliada de seu objeto de admiração.

A atuação de Sigourney Weaver só não se sobressai porque todo o elenco está afiado individualmente e em sintonia coletivamente. Todos os atores se encaixaram em seus papéis e deram vida a personagens praticamente palpáveis. O que destaca Elaine Barrish dos demais é que ela não reconhece sua imensa sede pelo poder e o quanto isso consome os que estão ao seu redor. Sua justificativa é sempre que ela trabalha para seu país, para o bem de sua nação. Mas todo o terror que sua família passa testemunha que não é nada disso.

Bud, pelo menos, não esconde nada de sua infinita arrogância e prepotência, que não diminuem nem quando ele está se afogando na impopularidade. Além do mais, a própria Elaine não consegue se desvencilhar do ego do ex-marido, voltando a se “consolar” com ele depois de dois anos divorciada.

Political Animals mostra como os Hammond lidam com o poder, ou como eles são fantoches do poder. Eles são uma família-símbolo nos EUA assim como os Clinton, e os chefes da família anseiam pelo trono presidencial assim como Hillary e Bill. A intimidade com que a família é mostrada fez com que alguns críticos americanos chamassem a minissérie de “novela”, mas discordo deles porque, mesmo sendo fruto da imaginação de escritores, Animals é verossímil, não tem tramas mirabolantes. É a saga de pessoas tentando se provarem dignas de poder enquanto são destruídas por ele. Além disso, a tal intimidade visa humanizar aqueles que muitas vezes são vistos como sobre-humanos, fator que considero como qualidade aqui.

Neste Piloto, a excelência do elenco excedeu um pouco a do roteiro. Especialmente entre Elaine e Bud, ficou faltando justificativas melhores para ela decidir deixá-lo quando não fazia mais “sentido”, e para ela cair de novo nos encantos dele, quando não fazia mais sentido. Mas porquês como este devem ser entregues no decorrer dos seis episódios, visto que a USA promoveu Elaine Barrish ao lado de Cleópatra, Elizabeth I e Eleanor Roosevelt. A promoção foi abusada, claro, mas o mínimo que se espera é que consigam justificar o porquê que Elaine pode/deve ser considerada uma “mulher forte”.

Political Animals seria inicialmente uma série, mas a USA decidiu fazer uma minissérie de seis episódios. Os criadores são Greg Berlanti (Brothers & Sisters), que também escreveu e dirigiu o Piloto, e Laurence Mark (Julie & Julia). A audiência da estreia não foi um sucesso, mas já antes de chegar à TV a nova produção abocanhou um prêmio de “estreia mais empolgante” no Critics Choice Television Awards 2012.

Para terminar, uma quote da protagonista que traduz o que uma mulher, talvez como Hillary, sente quando é consumida pelo poder:

A maior parte da vida é um inferno. É cheia de fracassos e perdas. Pessoas te desapontam, sonhos não dão certo, corações são partidos [...] E os melhores momentos da vida, quando tudo vem junto… São poucos e fugazes. Mas você nunca chegará ao próximo grande momento se não continuar andando. Então é o que faço. Continuo andando.

Observações:

- Seria o nome e o contexto que cercam “Hawaii Medical” uma alfinetada em algumas séries médicas por aí? Tia Shonda?

- Sigourney Weaver é a atriz que faz a Dra. Grace Augustine em Avatar e a eterna Ripley da franquia Alien. Ela tem dois Globos de Ouro e um Bafta no currículo.
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