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O que Achei de: The Newsroom (HBO)

A mesma sensação que tive ao ver o piloto de The Sopranos, eu tive ao ver o piloto de The Newsroom. A ideia na qual a trama se baseia, e...


A mesma sensação que tive ao ver o piloto de The Sopranos, eu tive ao ver o piloto de The Newsroom. A ideia na qual a trama se baseia, em ambos os casos, não é nem um pouco original. A literatura, o cinema e outras mídias já exploraram tais ideias com maestria. Mas a forma como a HBO executa sua obra é que chama a atenção. A excelência começa no roteiro, passa pelo cenário, pelas atuações, e abrange toda a produção da série. É (quase) impecável.

E The Newsroom enche mais ainda nossos olhos quando vemos um certo nome envolvido: Aaron Sorkin. Conhecido pela primazia de séries como The West Wing e Studio 60, Sorkin retorna ao mundo da TV depois de se aventurar no cinema com The Social Network e Moneyball. Logo, antes mesmo de assistir “We Just Decided To” é possível de imaginar a qualidade que estará presente no episódio.

The Newsroom mostra os bastidores do canal Atlantis Cable News (ACN), e se centra ao redor do âncoraWill McAvoy (Jeff Daniels) e sua nova produtora executiva – e antigo caso amoroso – MacKenzie McHale(Emily Mortimer). Trabalhando com eles tem o produtor Jim (John Gallagher, Jr.), a leal assistente Maggie(Alison Pill), Sloan (Olivia Munn), Neal (Dev Patel), o ambicioso Don (Thomas Sadoski), e o (bêbado) chefe deles, Charlie Skinner (Sam Waterston).

Mas nem só dos ares do ambiente jornalístico vive a nova obra de Sorkin. TN também se envolve num clima de comédia romântica e sermões sobre o orgulho americano.

No caso do ambiente jornalístico, a forma como MacKenzie lida com sua profissão é praticamente uma declaração de amor à ela. A produtora ignora as questões políticas e comerciais que fazem parte de seu trabalho, e acredita num jornalismo puro, onde as pessoas veriam as notícias pelas notícias. Em contraste ao seu idealismo, vem justamente a personalidade de seu patrão, que evita confrontações para não incomodar ninguém.

You’re popular because you don’t bother anyone.

Para o clima de comédia romântica, entra o relacionamento de Will e MacKenzie, finalizado há três anos. O comportamento dela ao redor – de medo – demonstra que o “erro” provavelmente partiu dela. Consequentemente, Will se arma contra a ex, dando um jeito no contrato dela para que ele possa ter o prazer de demiti-la uma vez por semana.

Tamanha defesa revela que MacKenzie ainda é o ponto fraco de McAvoy. Enquanto ele dava uma entrevista numa universidade, e ficava sem palavras diante de uma pergunta, era a imagem dela que vinha na frente dele e indicava o caminho de sua resposta. Acontece que, na verdade, MacKenzie estava realmente presente no local tentando ajudá-lo. Mas acontece também que ele duvidava da presença dela lá e imaginou tudo como uma simples miragem.

O resultado dessa imaginação-realidade foi um sermão ao American Way of Life. Sorkin caprichou no monólogo e deixou no chinelo aqueles que insistem que os Estados Unidos são o melhor país do mundo. Com justificativas realistas e poéticas, ele deixou claro que os EUA não são o melhor país do mundo… mas pode ser.

Ainda dentro do orgulho americano, está a própria MacKenzie. Apesar do forte sotaque britânico, seu sangue não poderia ser mais defensor da terra do Tio Sam. E foi com este patriotismo invicto que ela passou pelo Iraque e Afeganistão cobrindo as guerras dos respectivos países.

Como trama de fundo, e mais uma vez voltando à comédia romântica, o triângulo Jim-Maggie-Don promete esquentar os bastidores dos bastidores. Maggie é a estagiária que dorme com o superior, repetindo aquela velha história onde o lado mais fraco sempre sai prejudicado. Para completar, Don é o típico canalha que enrola a mocinha fugindo dos pais dela mesmo após meses de namoro. No meio da bagunça entra Jim, o cavalheiro que saberá reconhecer o verdadeiro valor da donzela.

O próprio Aaron Sorkin disse, numa entrevista para a HBO, que se basearia no filme Jejum do Amor (His Girl Friday, de 1940) para criar o clima da série. Além disso, para fomentar o lado jornalístico, The Newsroom começa no ano de 2010 e usa somente notícias que realmente aconteceram.

You’re telling me you got not one but two people to roll over on their employers withing five minutes?

I know, it’s just lucky.

A nova série é rica em detalhes e tem tudo para ser uma das melhores de seu tempo. Quando digo que “quase” tudo saiu impecável, é porque me lembro da fala de Jim sobre as informações que obteve, como se tudo fosse uma bela coincidência. No mundo das comédias românticas pode ser que haja coincidências, mas no mundo jornalístico, que é o foco e o forte de The Newsroom, coincidência é uma palavra que não existe.

Mas, conhecendo o brilhantismo dos roteiros de Aaron Sorkin, erros como este podem ser relevados, principalmente porque o resto foi muito bem executado. Sendo assim, TN é um drama indicado para quem aprecia uma boa série com qualidade de cinema. A cada episódio que passa, a sensação de satisfação e a sensação de quero mais se confundem no telespectador, formando um sentimento tão prazerodo quanto difícil de entender.

Aaron Sorkin criou a série, escreveu o Piloto e também é produtor executivo, juntamente com Scott Rudin e Alan Poul. Greg Mottola (Arrested Development) foi o diretor de “We Just Decided To”.
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