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Breaking Bad - 5x04 - Fifty-One

Existe um oponente à altura de Walt: o tempo.


Existe um oponente à altura de Walt: o tempo.

É quase poesia. "Fifty-One" uniu os cinco anos da série com tanta calma e despretensão que não há outro adjetivo para qualificá-lo senão perfeito.

O ego e a invencibilidade (ou estupidez) de Walt não foram humilhados. Sofreram calefação. Tudo parecia sob controle. Skyler, por exemplo, estava dominada mesmo se destruindo de terror. Os demais participantes do império de Fring se mantinham calados pela mão de Mike. Jesse... bom, Jesse nunca passou de um fantoche. Logo, se tudo parecia estar em seus devidos lugares, o que mais poderia ameaçar a glória do novo rei?

Ah, o tempo. Time is a bitch, Walt. O tempo é traiçoeiro e fica bem ali, ocupando tudo na vida e passando despercebido, levando o que é precioso e trazendo o inevitável fim. Para Walter, este fim chega acoplado à volta quase certa do câncer, o inimigo que ele venceu há um ano.

Aí nos lembramos da Season Premiere. O estado abatido e a tosse evidenciaram a concretização do desejo de Skyler. Aliás, temos que destacar o diálogo onde ela finalmente pôs para fora seu tormento. Que belíssima foi a atuação de Anna Gunn para o palpável desespero de Skyler.

Sky sempre foi uma personagem de olhar soberano. Não arrogante, mas confiável e seguro de si. Diante da descoberta sobre Walt, e da ameaça dele sobre contar ou não a verdade ao filho, ela não se intimidou. Ela se "integrou" à descoberta e permaneceu como o ponto constante e necessário na vida do marido.

Agora, ela perdeu tudo isso. Perdeu todo o poder que tinha. Ela nem pode expulsá-lo de casa, ou de sua cama, ou parar de lavar o dinheiro dele, ou ir à polícia. Ela foi consumida pela escolha de se adaptar à ele e agora ela está desarmada. Sua única vantagem, se é que podemos chamar de vantagem, é o tempo.

E é justamente este pequeno detalhe que assombra Walt. Depois de ver a atitude arrogante dele no 5x01, imaginei que seria seu ego inflamado a causa de sua queda. Mas agora penso que seja o desespero de vencer o tempo. Aqui já vimos ele trocando os pés pelas mãos e determinando que Lydia permaneça viva para fornecer metilamina. Quer dizer, ele nem sabe o tamanho do erro que está cometendo, já que só Mike sabe com que louca instável eles estão lidando.

Aliás, esta pressa vai é aumentar o tamanho de seus - já existentes - erros. Quando ele ainda não estava com um "prazo demarcado", a sensação de conforto que ele tinha também era motivo para imprudências. Vide o lucro absurdo que ele teve com a venda do carro, e a seguinte compra que ele fez. Seja no limite da liberdade, seja no limite da restrição, parece que ele só tende a agir com o impulso.

Voltando ao início da review, onde falei que o episódio uniu os cinco anos da série, vemos que "Fifty-One" foi sobre os aniversários de Walt. Por trás da data comemorativa, no entanto, percebe-se que a "evolução" de professor de química a monstro trouxe consequências não tão planejadas por ele, como podemos observar abaixo:

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Nem é necessário comentar o fracasso de Walt como homem em detrimento de seu "sucesso" como fabricante de metanfetamina. Sua última festa de aniversário, por exemplo, foi a deixa que Skyler usou para colocar seus estúpidos planos em prática.

Mas, dentro do sucesso de sua vida, Walt passou a ter alguém que o admira a ponto de tê-lo como figura paterna: Jesse. O ingênuo Jesse presentou White com um relógio, que contém uma das maiores simbologias da série. De acordo com o Breaking Bad Brasil, o presente trata-se do "Tag Heuer Monaco", um relógio caríssimo que ficou famoso por aparecer no pulso de Steve McQueen, no filme Le Mans (1977). Acontece que Steve McQueen morreu de um raro e inoperável câncer de pulmão, justamente o terror da vida do protagonista. Por outro lado, quando ele se deita e a última cena se fecha, o barulho de cada segundo passando retorna outra vez à questão do tempo, que não cessa de passar.

Quem esteve presente em todas as festas de Walt foi Hank. O engraçado é que cada momento dele com o cunhado faz lembrar o discurso de seu antigo chefe sobre o amigão que era Gus, que direto confraternizava com ele e sua família. Ironia do destino ou não, Hank se encontra na mesma posição. Ao que tudo indica, ele será o novo comandante e ocupará o cargo do chefe enganado. Para completar, com o novo trabalho ele deixará a investigação do império de Fring, cuja maior interrogação ainda é Walt.

Imagino que Hank pode acabar entrando num ciclo. Se em algum momento uma suspeita levar à Walt, certamente ele vai rir da situação sem acreditar na hipótese. No entanto, temos que considerar que, sendo o bom detetive que ele é, este ciclo talvez nem exista ou não dure muito, encurtando ainda mais o pouco tempo que o relógio marca para White.


Observações:

- O tique-toque do relógio também lembrou a fala de Mike no 5x01, onde ele chama Walt de "bomba-relógio".

- O segundo celular apareceu de novo na conversa. Que estranho uma coisa tão simples e insignificante ficar indo e vindo e incomodando justamente Hank.

- Tivemos novamente a cena do bacon em formato da idade do aniversariante, uma tradição da família White.

- Impressionante como Marie sabe guardar segredo.

- Breaking Bad Brasil: www.breakingbadbrasil.com
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