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Doctor Who - 7x02/03 - Dinosaurs on a Spaceship / A Town Called Mercy

Todos carregamos nossas prisões conosco... A sua prisão é a sua moralidade.


Todos carregamos nossas prisões conosco... A sua prisão é a sua moralidade.

Como não podia deixar de ser, Moffat vem tocando em pontos "delicados" de Doctor Who nestes dois últimos episódios. Seja em momentos "sérios", seja em momentos com toques de comicidade, a série usou "Dinosaurs on a Spaceship" e "A Town Called Mercy" para levantar pontos de interrogação na cabeça dos fãs.

Um ponto que está gerando considerável discussão -- sim, discussão na comunidade Whovian -- é o Doctor dizendo que o cavalo Josué se chamava Susan e queria que seu dono respeitasse suas escolhas. Mal dá para acreditar, mas este se tornou um detalhe "polêmico". No meu ponto de vista, se esta foi uma tirada engraçada/sarcástica com um discurso anti-homofobia implícito, que seja. Porém, pode ter sido apenas o cavalo macho querendo ser chamado de Susan... Como fã, tenho uma tendência a achar graça da cena simplesmente porque ela me fez rir, e dispenso a defesa ou condenação de seu "conteúdo". Foi apenas mais uma cena cômica de Doctor Who, assim como...

O beijo que Doctor tascou em Rory. Pensando bem, isso iguala Rory e Amy, já que o Doctor foi agarrado pela atual sogra uma vez... Sem dúvida a cena do beijo seguido de tapas na cara entra para as melhores da série.

Partindo para um assunto importante, passamos a discutir sobre a evolução/regressão da misericórdia do Doctor. Desde o início aprendemos com ele que todos merecem uma segunda chance, que sempre há uma saída onde todos permaneçam vivos e em paz. Bem, no 7x01 vimos que não é mais bem assim. No 4x06, "The Doctor's Daughter", o 10º Doctor diz que nunca usaria uma arma, já no 7x02 ele diz que realmente não sabe se é capaz ou não.

Amy serviu, mais uma vez, como alicerce dele, lembrando-o de como as coisas funcionam entre eles, e lembrando-o de que ele não é um justiceiro que sai matando criminosos universo afora. Mas é interessante notar que até em sua calorosa defesa pela vida houve ironia. Sim, ela tinha razão. Sim, ela o colocou de volta em seu caminho. Contudo, em um momento de fúria dela, quando ela não viu valor nenhum na misericórdia que aprendeu com o Doctor, ela deixou a raiva tomar conta e se vingou de Madame Kovarian (6x13, "The Wedding of River Song"). Outro exemplo prático é de sua filhota River Song, que não poupou o Dalek que quase matou o Doctor no 5x13, "The Big Bang".

Citar estes acontecimentos implica em dizer que não é só o Doctor que tem seus momentos de fraqueza quanto à sua política de nunca usar armas. Vira e mexe, os personagens que o acompanham também precisam de alguém para recolocá-los no caminho certo. E vira e mexe ele precisa que alguém faça o mesmo por ele. Não dá para dizer que o Doctor simplesmente nunca agiria assim, ou que é Moffat o culpado por "transformá-lo tanto". O Doctor não é um ser desprovido de emoções, muito pelo contrário. O Doctor não é um ser desprovido da capacidade de errar, muito pelo contrário.
Falando em emoções, vamos ao ponto principal do 7x02: o início do fim dos Pond. Não bastasse a cena onde o coração do Doctor se quebra ao ponto de podermos ouvir, o episódio ainda coloca o pai de Rory na história, só para fazer a despedida a mais dolorosa possível. Tenho que ressaltar também o favor que Brian Williams Pond obteve da Taxi-Tardis. Não tem como não adorar cenas da Tardis vagando pelo universo enquanto alguém aprecia sua beleza.

Quanto aos outros acompanhantes do 7x02, rainha Neffy (Riann Steele) e John Riddell (Rupert Graves, o Lestrade de Sherlock), o poço machista de insinuações sexuais ambulante, não tem como pedir melhores participações especiais que estas. Para melhorar, os dois repetiram o estilo Doctor-River de flertar e, claro, acabaram o episódio juntos. Do outro lado da força, Solomon (David Bradley, o Argus Filch de Harry Potter) brilhou como o vilão comerciante que roubou uma nave cheia de dinossauros.

É dispensável dizer que esta peculiar ideia de DW de ressuscitar os dinossauros foi maravilhosa, ou que seus guardas -- os melhores robôs EVER -- deveriam ganhar um filme só deles... No entanto, o que me impressionou mais do que estes dois fatores foi Rory inteligente. Desde quando Rory é perspicaz e curioso daquele jeito? Em certo momento ele queria aprender com a nave, em outro ele ameaça dois robôs com o dobro de seu peso e tamanho, e em outro ele dá ideias típicas do Doctor. Arthur Darvill merecia mesmo uma chance para Rory se destacar além da sombra de Amy.

Outra coisa que vale ressaltar é a referência que DW fez à Bíblia. No 7x02 o Doctor menciona os "gafanhotos alienígenas" que ele e a rainha Nefertiti derrotaram, fazendo alusão às dez pragas do Egito, citadas no livro de Êxodo.

O desfecho de "Dinosaurs on a Spaceship" voltou ao tópico da misericórdia/moralidade do Doctor. Ele pode não ter  usado as próprias mãos para matar Solomon, mas o entregou para que outros o matassem... agindo justamente como o justiceiro que Amy enfrentou "A Town Called Mercy". É um ciclo de ironias.

Já a resolução do 7x03 foi menos vingativa e mais humana, especialmente porque Kahler Jex se sacrificou no final. Neste episódio todos os personagens tiveram seu momento de fúria e humanização, começando pelos moradores de Mercy, passando pelo Doctor -- que voltou com seus discursos apaixonados pelo ser humano --, e terminando com a redenção do vilão The Gunslinger.

O ambiente de "A Town..." não pode passar em branco. É interessante notar que Moffat vem expandindo os cenários da série e colocando o Doctor em lugares que antes não imaginávamos. Com Russel T. Davies nem dava para cogitar ver The Oncoming Storm todo sapeca visitando o faroeste e pedindo um chá strong stuff no maior estilo Clint Eastwood, só que ao contrário. Para quem é fã de Doctor Who, cenas assim são simplesmente impagáveis.

Houve, no entanto, algo que não me agradou muito no 7x03. Mesmo depois das muitas ameaças do Pistoleiro, as coisas ficaram fáceis demais no final (de onde que um forasteiro seria nomeado e respeitado como xerife tão rápido assim?). Além disso, se a questão era apenas contradizer a atitude do Doctor no episódio anterior e fazê-lo voltar a si, a sexta temporada já discutiu a contradição de sua moralidade com maestria no 6x07, "A Good Man Goes to War". Estes dois episódios foram excelentes, tiveram cenas e participações extraordinárias, mas trouxeram pouco de novidade.

O que vem me intrigando é a proximidade da ida definitiva dos Pond. Faltam apenas dois episódios para que eles se vão de vez, e a cada minuto deles em cena a gente vai sentido aquele clima pesado que acontece toda vez que uma companion vai embora. Sim, a esta altura já devíamos ter nos acostumado, mas isso provavelmente nunca vai acontecer. Amy e Rory nos conquistaram por completo e dizer adeus vai doer demais, ainda mais porque a partida certamente será decisão deles.

Haja corações para o Doctor.


Observações:

- Tricey tinha que ter morrido mesmo? Ah Moffat sem coração... (ou Toby Whithouse, se preferir).

- Novamente, a série fez referência à pergunta "Doctor Who?" e ao final da sexta temporada. No 7x02 descobrimos que o Doctor não vale nada, uma vez que ele está oficialmente morto. Gostei disso. 

- Então o Doctor é Sagitário? Então ele nasceu entre 21 de novembro e 22 de dezembro? Provavelmente? Vamos ver o que o horóscopo tem a falar (via EuroResidentes):

Sagitário é um dos signos mais positivos do zodíaco. São versáteis e lhes encanta a aventura e o desconhecido. Têm a mente aberta para novas idéias e experiências e mantêm um atitude otimista inclusive quando as coisas parecem difíceis. São fiáveis, honestos, bons, sinceros e dispostos a lutar pelas boas causas custe o que custar.
Os sagitarianos costumam acreditar na ética. Encanta-lhes abarcar novos projetos e aprender sobre coisas novas. São intuitivos, bons organizadores, generosos e muito cuidadosos, o que lhes converte em bons gestores de situações e projetos.
Alguns sagitarianos têm um gênio forte, que pode aparecer ante situações que para os outros não têm importância. Também são muito impacientes quando os outros não seguem o mesmo ritmo que eles. São capazes de sacrificar-se para realizar um objetivo. Isto faz com que algumas vezes eles sejam exigentes demais.

- Nestes dois episódios o Doctor mencionou sua lista de Natal. By the way, se um homem de 1000 e tantos anos pode ter uma, tá liberado para a gente voltar a fazer a nossa.

- Disque Taxi-Tardis:
- O Doctor ficou com raiva porque o Pistoleiro atirou no chapéu de alguém. Me pergunto de onde esta raiva se originou...
- Cheguei a jurar que os dubladores dos fantásticos robôs fossem Matt e Arthur. Mas foram os comediantes David Mitchell e Robert Webb.

- A pergunta que não quer calar: o que Rory estava fazendo no quarto de Henry VIII?

- O melhor momento de "Dinosaurs on...":
- O melhor momento de "A Town...":
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Postar um comentário Comentários via BLOGGER (1) Comentários via DISQUS

  1. Suas reviews são ótimas! Passei a vir aqui nesse site em vez do serie maniacos por causa disso :D


    Acho que você pontuou muito bem cada detalhe que eu tinha pensado desses episódios. Outra coisa que achei legal foi o Doctor com esse chapéu no 7.03. Lembrei do episódio em que ele 'morre' lá na outra temporada, que ele tinha aparecido com um chapéu parecido.


    Sobre essas polêmicas: galera é muito preconceituosa e vê coisa torta em tudo. Quando é pra ver as referências sobre outros assuntos (violência, genocídio, maldade pura, testes em humanos - que me pareceu mais uma insinuação a testes em animais, não tem ninguém né?)


    E sim, a gente vai sofrer cada vez que um companion for embora, assim como cada vez que o Doctor mudar. Mas vamos continuar amando. E também tenho sentido esse apertinho mais vezes com os Pond, porque, como você disse, tudo caminha pra que seja uma decisão deles. Até agora só a Martha decidiu realmente deixá-lo e mesmo assim, foi diferente...


    Até a próxima :)

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