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Há Esperança de um Final Feliz para Fringe?

Faltando apenas seis episódios para o final (final finalíssimo) de Fringe, nós vemos a série chegar cada vez mais perto do extremo da ...


Faltando apenas seis episódios para o final (final finalíssimo) de Fringe, nós vemos a série chegar cada vez mais perto do extremo da infelicidade. Final feliz pode até não ser cult, mas quando olhamos para o tanto que nossos queridos personagens sofreram, desejar um final feliz para eles não passa de um justo sentimento.

Assistir Fringe foi como atravessar um deserto, não foi? Quantas vezes nós fãs ficamos com o coração na mão por causa da incerteza de se conseguiríamos ver o final de tudo ou não? Quantas vezes, ao final de cada temporada, ficávamos apreensivos pela (sempre) grande possibilidade de cancelamento? Quantas vezes, enquanto o episódio era exibido, ficávamos nas redes sociais grintando #SaveFringe com medo de que nossa voz não fosse ouvida?

Foi uma verdadeira maratona. Me lembro até hoje de quando comecei a ver Fringe. Foi por causa de um amigo da faculdade que decidi dar uma chance, porque até aquele ponto eu achava a série "muito bizarra para o meu gosto". E foi exatamente isso o que constatei quando comecei a assistir. Pelo menos enquanto via a primeira temporada, o que me manteve firme foi a promessa do meu amigo: aguenta que logo a coisa melhora!

E como melhorou. Se no início tudo parecia desconexo, sem graça, hoje tudo se encaixa e faz sentido. Se no início Olivia era um poço de insonsidez, hoje ela é puro amor, mesmo que muitas vezes ela pareça racional demais. Não cheguei a ser aquele tipo de fã que enxerga os detalhes microscópicos dos episódios, mas vejo que em sua evolução muita coisa que não parecia ser nada no começo, se revelou de grande importância no final. 

Na verdade, isso é uma característica, ou melhor, uma marca de J. J. Abrams. Foi assim com Alias, foi assim com Lost, duas outras séries dele que assisti. Nada mostrado é desproposital, tudo tem sua função que é revelada no tempo determinado. A impressão que dá é que desde antes do começo cada segundo de cada episódio foi planejado.

Mas mais do que isso, vejo Fringe pelo ângulo humano, pelo ângulo dos personagens. Se pararmos para pensar, tudo nela é motivado pelo sofrimento. A história começou de verdade quando Walter não suportou a morte do filho e invadiu o lado B para impedir a morte do outro menino Peter. Agora, a narrativa se repete quando Peter não sabe lidar com o sofrimento pela segunda perda de Etta. A atitude dos dois pais desesperados acaba por desencadear péssimas consequências que alcançam -- literalmente -- o mundo todo.

No entanto, se a questão é sofrimento e perda, nem só de filhos vive Fringe, claro. Como podemos nos esquecer de quando Olivia ficou presa do outro lado e a Olivia-ruiva tomou o seu lugar? Como podemos nos esquecer de quando Peter foi "roubado" para o outro lado e Walter ficou inconsolável aqui? Como podemos nos esquecer de quando Peter foi apagado da memória de Olivia e de seu pai, a ponto dos dois sentirem que perderam algo importante mas não saberem o que era?

É sofrimento que não acaba mais. Eles acham a solução para acabar com um sofrimento, e a consequência desta solução traz outro sofrimento maior ainda. Durante cinco anos ficamos sofrendo na série e pela série. A história nos fazia sofrer e o medo de ficar sem essa história também. Ai ai.

Então, pelo menos para mim, um final feliz para Fringe teria que ser... não sei... uma obrigação?

Posso até ser fã de finais felizes. Mentira. Na verdade detesto finais abertos ou tristes. Quando começo a ver algo, preciso de um fim de verdade, que justifique o calvário pelo qual os viventes da história passaram. Mas nem de longe isso se aplica à Fringe.

Nem em mil anos tudo o que Olivia, Walter e Peter passaram se encaixaria no que eu chamo de "necessidade de um fim de verdade". Como se não bastassem todas as perdas e barreiras da física que os Bishop transpuseram pelo luto, agora temos os dois homens da família se perdendo mais uma vez.

Por causa do reimplante, Walter está deixando de ser aquele menino fofo e teimoso que adoramos. Ele está voltando a ser o que ele mesmo chegou a temer, a ponto de pedir que William Bell tirasse pedaços de seu cérebro.

Peter colocou em si a tecnologia dos Observadores, o que para muitos significa que ele seria a origem dos temíveis carecas. Mas antes disso, há a progressiva perda do homem Peter Bishop, deixando, mais uma vez, Walter sem filho e Olivia sem marido.

Mesmo com todos os seus detalhes bem trabalhados, bizarrices, referências à ciência e códigos próprios, Fringe é sobre uma família e sua (peculiar) dificuldade de aceitar os malditos caminhos do destino. Acho que, no final, foi isso que me conquistou lá na segunda temporada e me deixou apaixonada pela história do trio. Neste momento, não consigo imaginar uma mudança que dê à eles um final feliz depois de uma vida, ou vidas, de turbulência.

Falta pouco tempo de um tempo que, aliás, eu cheguei a ter certeza que não existiria. Sei que já é sorte o fato de podermos ver um final próprio para a série, e talvez querer que este final seja feliz é exigir demais. Mas não. Não é. Eu sofri com eles, chorei com eles, parti meu coração com eles... e quero, nem que seja apenas uma vez, sorrir com eles.


*Fringe volta dia 07 de dezembro com o episódio 5x08 "The Human Kind", e o Series Finale vai ao ar dia 18 de janeiro com duas horas de duração.
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