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Minhas Impressões de: Banshee (Cinemax)

Sexo e violência misturados num faroeste moderno. E cá estamos nós viciados em uma obra com a marca   Alan Ball . De novo.

Sexo e violência misturados num faroeste moderno. E cá estamos nós viciados em uma obra com a marca  Alan Ball. De novo.

Não sei exatamente por qual motivo, mas os primeiros minutos de Banshee, regrados ao som de Fifth of Whiskey (Verse And Bishop), me lembraram demais do tema de The Sopranos, Woke Up This Morning (Alabama 3). E isto, claro, já é um ponto positivo. Que jeito maravilhoso de começar trazendo à memória uma das melhores séries já feitas.

Indo ao que interessa, no começo citei a preciosa "marca Alan Ball" que a série tem, mas há um porém aí. Titio Bolão não é o dono de tudo desta vez. Diferente de Six Feet Under, que ele criou, em Banshee ele é apenas o produtor executivo. Os criadores agora são Jonathan TropperDavid Schickler. Jonathan é escritor e autor de seis livros, além de professor de inglês na Manhattanville College. David também é escritor, tendo duas obras publicadas, e é roteirista, com adaptações e roteiros originais em seu currículo. Greg Yaitanes, produtor de House, é produtor junto com Alan e dirigiu o piloto.

Ao ver os primeiros materiais publicitários de Banshee, estranhei. Primeiro que o Cinemax pareceu bem "reservado", sem revelar muitos detalhes do projeto. O que se tinha era uma sinopse de um homem que sai da prisão depois de 15 anos e vira xerife, e alguns teasers bem curtos que não contavam nada. Já quanto ao elenco, além de Ivana Milicevic (intérprete de Ana/Carrie Hopewell), que reconheci de 007 - Cassino Royale e Vegas, os demais atores não eram tão conhecidos. Tudo isso junto, sem o nome de Alan Ball, confesso que provavelmente não me atrairia. Ainda bem que este não foi o caso.

Assim que comecei a ver o piloto, tive a ideia de que o protagonista seria um protagonista-vilão, e até pensei que se a série tentasse simpatizá-lo, a graça da história iria por água abaixo. E de fato houve simpatização do personagem. Mas, ao contrário do que pensei, a graça não se perdeu.

Fez sentido. Mesmo que a trama de um "jovem casal que se mete com um chefe do crime, e acaba com o homem tendo que se sacrificar pela mulher" não seja nova, Antony Starr conseguiu convencer na pele do  anti-herói, do "vilão por necessidade". Além disso, o roteiro cuidou bem do resto, e o que presenciamos na tela é uma obra com qualidade quase cinematográfica, ambiente com pegadas de Justified e Longmire, premissa e personagens com muitas possibilidades de desenvolvimento, e atuações persuasivas.

O que pareceu meio miraculoso foi a interação entre os personagens de Antony e Frankie Faison. Os acontecimentos do bar de Sugar Bates podem até soar estranhos se narrados fora do contexto. Afinal, não é todo dia que alguém entra num bar, mata uns três homens e faz amizade com o dono do estabelecimento. Mas... levando em conta que Sugar não tem lá um passado muito branquinho (além de ter passado 8 anos na cadeia, ele pareceu bem ciente do que fazer para se desfazer dos corpos), aquela situação merece pontos por acabar não sendo tão bizarra. Assaltantes chegam armados para roubar, o novo xerife se dá mal na hora de defender, um estranho mata os dois bandidos... nada mais normal ver os dois sobrevivente virarem amigos.

Ao dar uma nova identidade para o protagonista, percebemos que enquanto ele não assume o nome de Lucas Hood, ninguém o chama por nome nenhum. O mistério, até agora, parece que não tem razão de existir. Mas provavelmente Alan & Cia devem ter planejado um porquê para ele. Não sei cabe aqui também, mas o sobrenome "Hood" me lembrou imediatamente de Hobin Hood. E depois da cena do novo Lucas lutando para defender os Amish, tenho a impressão de que este pensamento fez mais sentido ainda.

Gostei de ver que o que une Lucas e Carrie não é apenas o passado de traição ao temível Habbit (Ben Cross). Os dois têm uma filha, Deva Hopewell (Ryann Shane), que a mãe tenta esconder. Atitude besta, claro. Não tem muita lógica ela fazer isso porque, exatamente como vimos, era muito fácil para Hood verificar que Deva não tem 13 anos coisa nenhuma. O que vai ser bom mesmo é a cara de Gordon (Rus Blackwell) quando descobrir o passado da esposa. Não, melhor do que ele será ver a reação da própria Deva. Se sem razão ela já é toda rebelde, imagine quando tiver razão de verdade.

Aliás, aproveitando que citamos Gordon, vale dizer que imagino um futuro promissor entre ele e Lucas. Considerando que ambos -- mais o prefeito-precoce Dan Kendall (Daniel Ross Owens) --, querem uma Banshee "mais justa", não vai demorar para que seus caminhos se cruzem.

A atuação mais interessante que notei foi a de Ulrich Thomsen, o Kai Proctor. Além de vilão, ao que tudo indica ele já vai começar a série grudado no pé do novo xerife, mesmo que seja sem querer. Proctor também possui uma história de fundo bem maior, com fortes vínculos com a parte Amish da pequena cidade da Pensilvânia, sendo que seu pai é adepto da religião.

Os Amish preferem viver afastados do restante da sociedade. Eles não prestam serviços militares, não pagam a Previdência Social e não aceitam qualquer forma de assistência do governo. Muitos evitam até mesmo fazer seguro de vida. Quando o adolescente está entre 14 e 16 anos, ele passa pelo "Rumspringa". Rumspringa é o período no qual o jovem sai temporariamente da comunidade para conhecer e experimentar a vida no mundo. A partir daí ele pode escolher se quer seguir o caminho de seus pais ou fazer o seu próprio -- longe dos Amish.

Pelo que vimos de Kai, imagino que ele foi um adolescente que deixou a família e a religião para fazer seu próprio caminho. A consequência foi que, aparentemente, ele está morto para os que ficaram para trás, vide a cena em que seu pai nem sequer dirige o olhar para o filho.

Outra atuação a destacar é a de Hoon Lee. Para quem assiste True Blood, ficou fácil de identificá-lo como o Lafayette da história. Não é só pelo fato de os dois serem travestis, mas é também por serem super simpáticos. Desde o primeiro palavrão momento de Job em cena, fica quase impossível de não amá-lo. Especialmente depois que vemos o quanto ele é importante na vida do protagonista e de Carrie.

As cenas de sexo, para lá de ousadas (em 1 minuto e 4 segundos de episódio já tinha cena de sexo), podem até espantar quem não está acostumado com o Cinemax. Pois se acostumem. Em Banshee elas pelo menos têm alguma razão de existir, ao contrário de outras séries do canal que nem sempre pensam em colocar tais cenas coerentemente dentro do roteiro. Ah, aliás, o Cinemax faz parte do grupo HBO. Ou seja... a ousadia está em casa.

Por último, citarei a fala de Lucas que traduz bem o lugar onde o personagem está e a razão de tudo o que ele fará a seguir:

Não fiquei com a garota. Não fiquei com o dinheiro.
Passei 15 anos pensando nesse dia, e tenho que te dizer...
Não é nada como imaginei.


Observações:

- Quem acha essa história da Carrie de perder todos os diamantes muito furada, levanta a mão.

- Me dá licença que temos uma Shiobhan a caminho! A personagem que provavelmente dará uns pegas em Lucas (tem cara de danada e) se chama nada menos que Siobhan Kelly (Trieste Kelly Dunn). Agora, não me entendam errado, mas em Ringer a gente tinha uma Shiobhan e uma Bridget Kelly. RINGER FEELINGS!

- As cenas do vídeo de abertura me lembraram um pouco a de True Blood.

- É só na minha cabeça, ou Antony Starr lembra um pouco de Scott Speedman (Last Resort)?

- Nas cenas de ação do começo, quando o ônibus de dois andares cai, e Hood sai correndo pra não virar pasta no asfalto, qual série está pintada na lateral do ônibus? Strike Back, do Cinemax.

- Kai Proctor e Habbit. Quem escolheu os nomes dos vilões da série tem um gosto bem... peculiar.

- Fifth of Whiskey, by Verse And Bishop: 

- Woke Up This Morning, by Alabama 3: 
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