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Minhas Impressões de: The Americans (FX)

Premissa promissora, piloto arrastado, atores inadequados.

Premissa promissora, piloto arrastado, atores inadequados.

Para eu não gostar de uma série do gênero de The Americans ela tem que ser muito ruim. Mas muito ruim mesmo. Sou fã de carteirinha de qualquer coisa que apresente ação e envolva história de espionagem. Este, eu posso dizer sem vergonha, é o meu ponto fraco. Assisto muita coisa de qualidade duvidosa somente por ter estes elementos.

Americans, além de ter tudo isso, tem Matthew Rhys, meu querido Kevin Walker de Brothers & Sisters. Keri Russell eu conheci no meloso August Rush (O Som do Coração) e depois em Waitress, onde ela dá uns pegas em Nathan Fillion (Castle) enquanto faz umas tortas de dar água na boca.

Tanto Matthew quanto Keri vieram de papéis totalmente diferentes de Phillip JenningsElizabeth Jennings. Totalmente. O Kevin de Brothers & Sisters e os personagens que Keri fez até então, pendem para o lado da meiguice, para o lado familiar. Se eu fosse showrunner de uma série de ação, eles certamente não seriam escalados para protagonistas.

Não que seus trabalhos predecessores os marque e os impeça de fazer bem The Americans. Eles até podem se desenvolver e fazer a coisa dar certo. Mas, além de ser arriscado, estamos falando de um grande investimento. Uma série, como grande investimento que é, pode olhar melhor as opções que tem. Há uma lista imensa de atores que poderiam ocupar os postos de Philip e Elizabeth sem precisar de esforço algum para provar que merecem.

Acontece que, pelo menos no piloto, Matthew e Keri não deram conta do recado. Faltou muito para eles convencerem individualmente e também como dupla. Faltou dinamismo, faltou... cola. Rhys parece que ligou o automático e se deixou levar, além do que sua cara de mal não amedronta ninguém. Russel é simplesmente fofa demais para ser considerada perigosa. Ela parece uma mãe nervosa sem saber se briga ou se abraça o filho.

Quanto à trama, The Americans tem potencial. Mas, novamente, me vejo diante de uma sinopse que poderia se dar melhor no cinema ou numa minissérie. Imagine comigo: se for para ter 5 temporadas, o que vai preencher o espaço depois que Stan (Noah Emmerich) descobrir sobra a verdadeira identidade deles? Porque, a não ser que os produtores queiram se prologar durante anos adiando a descoberta, teremos aí um desafio grande para eles vencerem. E a história apresentada não é daquelas que pode ser esticada do nada. Ela é muito limitada, se assim podemos dizer.

Uma coisa que gostei foi de colocarem o casal vivendo -- quase que de verdade -- o sonho americano. Quando li sobre o que a série seria, um casal de russos, espiões da KGB, vivendo em território inimigo durante a Guerra Fria, imaginei apenas que eles brincariam de casinha para disfarçar. Entretanto, a brincadeira ficou séria e até filhos os dois tiveram. Isso leva a um panorama todo diferente. Por exemplo, podemos perguntar: quando a missão acabar, o que serão destas crianças?

Philip claramente se mostrou mais tendencioso a adotar a vida americana de verdade. Por vezes percebemos no episódio que ele ama seus filhos e está pronto para deixar sua vida de agente para trás. Já Elizabeth não. Ela não só é fiel ao seu país como também revelou seu descontentamento com o comportamento do parceiro para seu superior.

Aí também entra Nikolai (David Vadim). Este seria o motivo de Elizabeth ser muito menos patriota que seu marido, uma vez que o estupro sofrido era prática "comum" para jovens recrutas como ela, e o general Zhukov, que aparenta se preocupar de verdade com a agente, não só sabia do acontecimento como também tratava-o como uma mera casualidade.

O fato de Philip matar Nikolai quando percebeu toda a verdade não foi surpreendente, mas foi bom de ver. O consequente "amolecimento" de Elizabeth também não foi surpreendente, mas também foi bom de ver. Temos, a partir daí, uma história de amor às avessas. Os dois já estão juntos, mas passarão a ficar juntos de verdade enquanto vivem entre os mundos de agentes duplos e a cumplicidade que vem com o trabalho, mais a cumplicidade de casal verdadeiro que agora aparentemente terão.

Vendo isto, me lembrei de Homeland. Há uma certa semelhança quando comparamos o clima de tensão causado pela duplicidade dos protagonistas, junto com o romance entre eles. Mas eu diria que em The Americans, apesar de a parte da tensão não ser tão boa quando a de Homeland, a parte do romance veio de forma mais natural e mais lógica. Desde o começo vemos que é para este lugar que a história irá e até torcemos por isso.

Existem ainda os flashbacks que mostram o passado do agora casal Jennings. Dá para notar que Philip conheceu os Estados Unidos antes de se tornar Philip e que, provavelmente, esta não é sua primeira vez numa missão do tipo. Ela, por sua vez, carrega mesmo muito amor pela Rússia juntamente com uma convicção que supera sua vida sofrida e os obstáculos que enfrentou na KGB. Interessante notar que, mesmo assim, ela foi a primeira a revelar verdades sobre si, como o seu nome Nadezhda.

A impressão que tive foi que, apesar de o FX ter uma boa receita, os ingredientes escolhidos não foram os melhores. Como citei no começo, este é o gênero de filme/série que mais aprecio. Sendo assim, farei o teste dos três episódios com The Americans, mesmo não tendo muita esperança que algo mude o marasmo que domina a cena atualmente. Falta ação. Muita ação. Cenas como a de Philip batendo no pedófilo precisam de acontecer mais. Os diálogos precisam de (muito) mais dinamismo, as caracterizações dos personagens precisam de um trabalho mais apurado. Os atores precisam mostrar que foram as escolhas certas, precisam se sentir confortáveis em seus papéis.

Falta muito. Um muito talvez grande demais para a capacidade de The Americans.


Observações:

  • The Americans foi criada por Joseph Weisberg, que já fez alguns roteiros de Falling Skies e Damages. Ele também escreveu o episódio piloto.
  • A direção ficou a cargo de Gavin O'Connor, que também é ator, produtor e roteirista. Ele dirigiu o filme Warrior e Pride and Glory (estrelado por Colin Farrell e Edward Norton).
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