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Minhas Impressões: Golden Boy (CBS)

Quando a filosofia mais importante de um piloto é "Dentro de cada homem há dois cachorros em luta. Um bom e um mau. Sabe quem ven...

Quando a filosofia mais importante de um piloto é "Dentro de cada homem há dois cachorros em luta. Um bom e um mau. Sabe quem vence? O que você mais alimentar."... algo precisa ser revisto.

Golden Boy é uma série policial que acompanha a ascensão meteórica de um jovem que, apesar de iniciar sua carreira aos 26 anos, chega ao cargo de Chefe de Polícia aos 34. Walter William Clark Jr. (Theo James) é impetuoso, cheio de energia e metido a Sherlock Holmes. Depois de sair como o herói policial num complicado assalto, onde seu parceiro foi baleado, ele ganha do então Chefe de Polícia a opção de escolher em qual departamento ele quer trabalhar. Ele escolhe Homicídios, um departamento que exige, no mínimo, o dobro da experiência que ele tem.

Bom, esta é a sinopse. Ao redor dela, existem os adereços que começam com a irmã drogada de Walter, Agnes Clark (Stella Maev), o novo parceiro, Don Owen (Chi McBride), e o antagonista Tony Arroyo (Kevin Alejandro).

Agnes serve para ressaltar o caráter "lutador" do irmão que, desde cedo, faz de tudo pela sobrevivência dos dois. Ele é o irmão que também cumpre o papel de pai e mãe, e tenta protegê-la de más influências (se é que ela precisa de uma má influência). 

Don é o parceiro que logo de cara Walter tenta dispensar. O intuito dele é começar já ao lado do melhor, e quando ele vê que Owen é quem lhe foi designado, o jovem imagina que aquele semblante cansado será na verdade um fardo. Mas, para seu desgosto, a tentativa de se livrar de Don falha.

Em Golden Boy, Chi McBride faz praticamente o mesmo papel que fez na cancelada Human Target. Em Human ele fazia Laverne Winston, o amigo e conselheiro do protagonista, interpretado por Mark Valley, sendo sempre a voz que guiava o alvo humano para o caminho da luz. Toda vez que Don aparece em cena, podemos perceber o mesmo olhar de desdém e sabedoria do detetive Winston, e podemos esperar que, com toda certeza, nos próximos minutos teremos um conselho ou aviso ou ameaça ou lição de vida. Imagino que tal repetição deve ser chata para o ator, ou talvez seja cômodo, já que a única coisa que ele tem que fazer é repetir as mesmas falas para um personagem diferente, tendo apenas o trabalho de trocar o nome Christopher Chance por Walter William Clark Jr.

Arroyo deixou seus demônios em True Blood e agora é o detetive famoso do pedaço. Com a chegada de Walter, ele começa a marcar território logo após perceber que a pentelhice do menino pode causar problemas em seu reinado. Aquela coisa novelística de se fazer de amigo de alguém só para ter o prazer de apunhalar pelas costas, é a tática que o tão inteligente detetive arruma para "ensinar" ao novato seu devido lugar. Em outras palavras, Arroyo é um cachorro marcando seu precioso terreno.

Logo percebemos também a rivalidade entre Arroyo e Owen.  Tony foi o culpado por revelar "sem querer" a identidade de uma informante de Owen, causando a morte desta. A partir daí, os dois ficam trocando olhares perigosos, quase rosnando um para o outro quando se esbarram nos corredores da delegacia. Walter entra no meio da complicada relação já tentando pender para o lado de Tony, mas logo ele aprende com o sábio Don que o trabalho deles -- dar justiça aos injustiçados -- vai além de fúteis briguinhas.

Entre a impetuosidade de Walter, a vilania descarada de Arroyo, e a sabedoria infinita de Don, Golden Boy peca ao exagerar nos clichês. De novo, como série policial, ela não apresenta nada. Várias séries do gênero, senão todas, possuem protagonistas imaturos, incapazes de ouvir a voz da experiência, e geralmente inteligentes acima da média, o que lhes permite notar os "bolsos alargados das calças" das vítimas assassinadas. O caminho para todos eles é óbvio: com o tempo, com as burradas que comentem, e com aqueles que perdem, eles aprendem e se tornam -- rufem os tambores -- fontes infinitas de sabedoria.

GB ainda tem outro grande pecado: o abuso de frases de efeito. O caso dos "dois cachorros dentro do homem" é apenas um entre os milhares que inundam o piloto. E como se não bastasse a presença de tais frases no roteiro, eles insistem em repeti-las e usá-las como mantra, como centro da trama. Pecadão.

O episódio começa com Walter recém nomeado Chefe de Polícia, relatando o início de sua carreira para Paul Daly (Richard Kind), do NY Times... já em posse de seu semblante sábio e experiente. Aparentemente, a história se revezará entre este depoimento e os flashbacks ilustrativos do que Clark contar. Nos minutos finais, Paul pergunta sobre uma tragédia na delegacia, ligada à rivalidade de Owen com Arroyo, e provavelmente ligada ao fato de Walter estar manco. O mistério fica no ar (ou não).

O caso do piloto, onde um playboy mata o namorado da ex, é outro que não fugiu do clichê. Tanto o desenvolvimento quanto a resolução foram cópias de outros casos idênticos em outras séries policiais. Só contou o fato de William achar que pelas vias legais não dava para conseguir nada e dar uma de House ao invadir a casa do suspeito... Mais um recurso do roteiro para nos mostrar a impetuosidade do garoto.

Se fosse em qualquer outro canal, Golden Boy seria cancelamento na certa. Porém, tendo em vista que estamos falando da CBS, a casa dos procedurais policiais, é difícil concluir alguma coisa. Mesmo que GB não tenha fibra dramática suficiente para sobreviver, sua audiência de estreia de 10 milhões de telespectadores pode ser sinônimo de vida longa (se não despencar, claro). Além do mais, o criador da série é Nicholas Wootto, que foi produtor e roteirista de séries como Chuck, Prison Break, Law & Order, e NYPD Blue, procedural policial da ABC que durou 12 temporadas e teve 261 episódios (!).

O piloto foi dirigido por Richard Shepard (Ringer) e roteirizado por Nicholas. Greg Berlanti (Arrow, Political Animals), Melissa Kellner Berman (Arrow, Political Animals) e Erin Mitchell (ER, Cold Case) são produtores executivos junto com Shepard e Wootto.

P.S.: Já fazendo uma referência básica a Cold Case, Golden tem o caso Voracheck. Quer apostar quanto que o mini-Sherlock consegue desvendar todo o mistério "impossível"?
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