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As 13 melhores séries de 2013

Finalmente, a lista das séries que fizeram bonito em 2013.


Finalmente, a lista das séries que fizeram bonito em 2013.

13. Nikita (CW)

Número de episódios em 2013: 22 | Texto por Arlane Gonçalves


Nikita foi a série que me trouxe mais alegrias nos últimos 4 anos. Ela é do jeitinho que eu gosto: protagonista mulher, muita ação, muito tiro, muita luta, muita gente morrendo. Sou simplesmente viciada no gênero. E a personagem Nikita já era uma referência pop que eu adorava antes da CW fazer sua versão (ela foi criada por Luc Besson em 1990). Então, quando eu vi que esta seria a melhor faceta da espiã que eu veria (depois de muito acreditar que seria um baita flop), me senti a fã mais sortuda da galáxia.

Notoriamente, esta série se divergiu das outras de seu canal. Ela é formada por um elenco adulto e visa um público adulto e restrito, afinal não é todo mundo que gosta de ver séries de ação. Mesmo assim, e apesar da baixa audiência, a nêmesis de Nikita em todo o seu percurso, ela foi de uma qualidade admirável e se sobressaiu de formas inesperadas. Quantas vezes surtei assistindo um episódio e quantas vezes mais amei Nikitinha pelas suas atitudes badasses? Nunca saberia contar.

Nesta última temporada o defeito foi a falta de tempo, que impediu uma boa ideia de ser desenvolvida e bem resolvida. Todavia, isto não foi impedimento para que os produtores dessem o final mais digno possível para Nikidiva e sua turma, muito embora suas perdas também tenham deixado o coração da gente arrasado. O que eu vejo é que, no final das contas, a obra não se deteve diante de suas limitações. Ainda que precisasse de mais tempo, o plot do Shop foi solucionado com o característico jeito sambativo-Nikita-de-ser, e surpreendeu. Como sempre.

Eu queria ter visto mais. Não mais temporadas. Mais episódios para fechar as pontas com mais calma e mais samba. Mas agradeço pelo pouco que recebi. Se no começo não dei nada pela série, hoje percebo que ela conquistou um lugar (bem grande e) especial no meu coração. Sempre criativa, inovadora, esperta, afiada. Admirável. Vou ficar com saudades de cada momento, personagem, ator,  frame. E também com um saudoso gosto de quero mais.

12. Mad Men (AMC)

Número de episódios em 2013: 13 | Texto por Celso Landolfi


Em seu sexto ano, Mad Men resolveu explorar totalmente seu personagem principal, Don Draper, e sua forte depressão pela vida que leva. Contando mais do passado do protagonista e expondo problemas há muito existentes na vida de Don, Mad apostou em um ano mais denso e dramático, porém sem eventos chocantes como foi na quinta temporada. Foi um ano de desconstrução de Don, preparando o terreno para o último ano da série.

Com um roteiro inteligente e atuações excepcionais do elenco, Mad Men continua entre as melhores do ano, lista que está desde que estreou e só deve sair quando acabar. Assim como a colega de emissora Breaking Bad, Mad Men terá sua temporada final dividida em duas partes, o que na minha opinião é um erro, visto que a narrativa tensa de Breaking Bad não ocorre em Mad Men. A série quatro vezes vencedora do Emmy de melhor drama continua sendo muito acima da média e sem dúvidas uma das melhores do ano.

11. Bob's Burgers (Fox)

Número de episódios em 2013: 22 | Texto por André Fellipe


Uma das tradições mais comuns do mundo das séries é que todo ano nos encontramos com uma série que em anos anteriores não passava de um programa mediano e até mesmo esquecível, e que se supera em termos de criatividade para surpreender a todos. Bob’s Burgers é o exemplo que confirma mais uma vez a teoria em 2013. Quase que apagada em relação às outras animações da Fox, a série este ano deu uma alavancada fenomenal utilizando de situações normais e colocando-as frente a frente com a vida comum da família Belcher. E é justamente isso que permite o sucesso da série, ilustrando o quanto cada um se importa com o outro da maneira mais simples possível e baseando as suas situações para que a relação entre os personagens não se torne exagerada.

É possível observar o quão comum (e excelente) Bob’s Burgers foi em 2013 simplesmente através das premissas dos seus melhores episódios. A mãe e a filha acertando seus problemas em um jogo de laser tag, o primeiro encontro atrapalhado entre o protagonista e sua mulher, o dia de Halloween, o Natal... o mais apaixonante dessa série é justamente como esses heróis tão comuns conseguem mostrar tendências tão esquisitas como a criação de afeto por um vaso sanitário (e o pior é que a piada funciona). Eles se tornaram a família mais adorável da televisão, um sentimento de união básico que lembra até mesmo o ponto vital das comédias que dominavam a televisão antes do século XXI e vai contra grande parte das ideias mirabolantes que vários roteiros tentam pregar e falham.

Não se pode subestimar o mais simples.

10. Modern Family (ABC)

Número de episódios em 2013: 26 | Texto por Arlane Gonçalves


É impressionante que depois de 5 anos e temporadas de mais de 20 episódios, Modern Family ainda tenha o frescor da juventude. Seu elenco fica cada vez mais afiado e suas piadas cada vez mais aguçadas. A química entre os personagens não enjoa, mas se renova. E eu digo que isso é admirável porque nós estamos falando de uma comédia que fala sobre tudo e sobre o nada, baseando-se apenas no cotidiano de seus personagens, que são pessoas totalmente comuns.

Ok. Não tão comuns assim. Eles representam os tipos da sociedade e como tal acabam um tanto exagerados, mas aí é que está também um dos trunfos de Modern Family. O que eu mais gostei nesta temporada foi o desenvolvimento de Lily, que cresceu e virou um monstro dentro da série. Como imaginar MF sem os comentários terríveis dessa garota? Como é que consegue atuar tão bem sendo tão nova? Aliás, os atores mirins de Modern sempre foram excepcionais, e neste ano estão ainda melhores enquanto estão crescendo. Especialmente a relação de Alex e Haley, que fica mais adulta e mais cúmplice.

Cam e Gloria continuam sendo meus personagens favoritos, e até Claire, que era a minha "desfavorita" me surpreendeu nesse ano. O episódio de aniversário de casamento dela foi lindo de morrer, com ela tomando o lugar de romântica e surpreendendo o marido com uma dança de acrobatas. Tal como este acontecimento, Família Moderna é uma série que está sempre se renovando, mesmo quando parece que ela não tem mais argumentos para prosseguir. Ainda bem que ela tem provado exatamente o contrário.

P.S.: Gloria como sempre linda e sapeca, e agora ciumenta por Claire roubar o enjoo de sua mãe. Totalmente épica.

9. Game of Thrones (HBO)

Número de episódios em 2013: 10 | Texto por Leandro Chaves


Quando se joga a Guerra dos Tronos, você vence ou morre.” Definitivamente a famosa frase usada por Cersei Lannister mostrou a que veio na terceira temporada de Game of Thrones. Recuperando-se de um segundo ano não tão forte como o primeiro, Game of Thrones chegou à terceira temporada nos trazendo novos personagens, novas batalhas, novas intrigas e novos lugares do fantástico mundo de George R.R. Martin. Com a temporada voltada aos acontecimentos da primeira parte do livro três de As Crônicas de Gelo e Fogo – A Tormenta de Espadas –, tivemos bastante de Daenerys continuando sua jornada no outro continente ao lado de seus servos e seus magníficos dragões (dragões estes que foram uma grandiosa obra de arte da computação gráfica), Jon Snow e sua camuflagem junto ao povo selvagem, Bran em sua peregrinação e aprendizado com os queridos irmãos Reed, Arya em sua busca por vingança, e o desenrolar das guerras entre o Norte e o Sul (Stark x Lannister) ocorrendo em todo o continente de Westeros.

Apesar de algumas inserções antecipadas de plots bem diferentes e/ou adiantados dos livros (um exemplo foi Theon e o Bastardo Bolton), os fãs que acompanham a saga de Martin pelas suas obras literárias foram bem receptivos com tais mudanças. O que é compreensível, já que adapatar um livro de mais de 500 páginas em dez episódios de 60 minutos não é nada fácil. Entre os destaques da temporada, tivemos as belíssimas cenas da dominação de Daenerys com seus dragões (Dracarys – difícil não se arrepiar ao ver os dragões queimando toda uma cidade), Jon Snow e Ygritte em seu amor selvagem (com direito a uma bela vista sobre a grande Muralha e o famoso “Você não sabe nada, Jon Snow.”), e um episódio bastante esperado pelos acontecimentos que se sucederiam: O Casamento Vermelho. Um episódio que não foi totalmente magnífico antes dos principais fatos ocorridos, mas que foi completamente emotivo quando o assassinato em massa e traíra nos banhou com tanto sangue. Difícil também foi ver e ouvir os gemidos do lobo gigante de Robb antes de seu último suspiro.

Com os eventos bem divididos entre os principais personagens da saga, Game of Thrones nos deixou com água na boca para a quarta temporada, que promete ainda mais com a segunda parte de A Tormenta das Espadas e com mais casamentos para se comemorar... dependendo de que lado você está!

8. Strike Back (Cinemax)

Número de episódios em 2013: 10 | Texto por Marco Aurélio


Já parou para contar quantos personagens importantes morreram neste ano? Dezenas. Foram tantas mortes que nós, seriadores, não tivemos descanso. Mas de onde será que veio a maioria delas? Game of Thrones e seu Casamento Vermelho? The Walking Dead? Esse ano, ao lado de Spartacus, Strike Back foi imbatível. Foi difícil encontrar um momento de sossego nessa temporada. Na primeira cena do primeiro episódio já se tinha a primeira perda. Quando ela chegou no final da temporada, dava para contar nos dedos quantos sobraram.

Vindo de uma série que matou seu protagonista antes de virar moda, não se poderia esperar menos. Strike Back é recheada de ação, combinada com um roteiro inteligente, interligando vários personagens por laços políticos, financeiros ou militares. Quando um alvo é derrubado, sempre tem outro na lista. Assim, foi construído um ciclo de missões que abasteciam constantemente a série de tiroteios e explosões. Não tem outro adjetivo que caracterize a temporada: ela foi foda.

Nessa quarta temporada, além dos inúmeros plot twists, ela adquiriu um tom mais realista. Os protagonistas são colocados como o que, de fato, são: sargentos que tem um superior que não vai pensar duas vezes em mandá-los para uma missão de risco ou barganhá-los por uma chance mínima de salvar centenas de pessoas. Também foi reafirmado, pela enésima vez, que qualquer um deles pode morrer do jeito mais seco e brusco possível. Contudo, a lição mais essencial, que ilustra a característica citada, é a de que, se eles não conseguem assegurar suas próprias vidas, certamente não conseguirão cumprir promessas de manter vítimas a salvo. Como um todo, a temporada foi mais audaciosa que a anterior, e elevou o simples entretenimento de uma série de ação comum a um nível mais elaborado e engenhoso.

7. Black Mirror (Channel 4)

Número de episódios em 2013: 3 | Texto por Marco Aurélio


Ao terminar a segunda temporada de Black Mirror a sensação é de êxtase. Vontade de sair correndo e contar para quem encontrar o quão genial essa minissérie britânica de três episódios é. A temática da série é louvável, e a execução de suas ideias são ainda superiores. Dedicada a criar histórias independentes que combinam críticas à sociedade e uso de tecnologia, a produção se mantém como uma das mais relevantes e autênticas na TV atual. Ela invoca os mais variados sentimentos ao espectador, devido a seus temas polêmicos, que facilmente poderiam fomentar os mais acalorados debates.

Embora a primeira temporada seja estupenda, é com a segunda que a minissérie atinge seu ápice, onde alfineta o uso da tecnologia para suprir a perda de um ente querido, temática também explorada no já premiado filme Her (2013, estrelado por Scarlett Johansson e Joaquin Phoenix), e o descaso com a política. O roteiro é tão cuidadoso que consegue esculpir personagens cativantes e, à medida que os desenvolve, trata de esmiuçar suas emoções, ao mesmo tempo que faz suas densas críticas - como é perceptível em seu primeiro episódio. Logo, ele é capaz de comover o espectador e atingir suas metas com destreza.

Mas é seu segundo episódio, facilmente um dos melhores do ano, que Black Mirror rompe seus padrões, estabelecidos na primeira temporada, e só entrega sua principal crítica nos minutos finais de episódio. Nele é produzido um thriller eletrizante cheio de mistérios, do tipo que magnetiza sua atenção, e desemboca no seu ponto central, na sua verdadeira trama. Uma história inteira criada para analisar o comportamento humano. Chocante e inteligente, assim como toda a minissérie. Provavelmente, ouviremos mais de suas bizarras premissas, talvez até no mundo real.

6. American Horror Story (FX)

American Horror Story: Asylum | Número de episódios em 2013: 4 | Texto por Henrique Haddefinir


Os caminhos que levaram à criação dessa insana temporada de American Horror Story serão pra sempre um mito. Se o primeiro ano foi considerado ousado, só soubemos o tipo de perversidade que Ryan Murphy pretendia realmente expor, quando a história de Briarcliff chegou até seu apogeu. Se antes a série parecia ser apenas uma forma esperta de se lidar com o gênero do horror, na segunda temporada as coisas se tridimensionaram de maneira absurda. American Horror Story virou uma explosão de cultura pop, de história, de identidade visual e de transgressão.

Asylum situou-se num período realmente ambíguo da história americana: os anos 60. Enquanto a liberdade era pregada nos pastos do pensamento hippie, a violência se esgueirava pelas frestas que podia. Os anos 60 seguiram fazendo a máquina de Hollywood crescer ferozmente, fazendo a “liberdade” sexual e filosófica se impôr para o mundo, fazendo a cultura do medo se estabelecer no imaginário do cidadão, mais forte que nunca. E esse medo era combatido com força, com guerra, com terror, com sangue.

Tudo que não era explicado era fruto da loucura. Por conta disso, vários personagens da série acabaram indo parar no sanatório. A pior parte do temor – aquela que representa a violência sem motivos – estava representada pela figura de Bloody Face, um assassino serial que carregava o emblema das mazelas americanas tanto quanto qualquer outro indivíduo. Esse era um país de repressões sociais, criando seus monstros por tabela. Os anos 60 eram tomados pela crença em discos voadores, abduções, mediunidades, e isso gerava todo tipo de comportamento inesperadamente nocivo. Charles Manson, o hippie que pregava o “amor”, fez seus seguidores assassinarem inocentes no ano de 69, simplesmente porque acreditava ser um tipo de “escolhido apocalíptico”. A América sorria, mas estava no meio do caos.

Por todas essas razões, Asylum é uma verdadeira obra-prima, que mostrou através das personagens Lana e Jude, como essa cultura do medo quebrou o espírito do american way of life. Briarcliff era um sanatório que abrigava aberrações nazistas, assassinos natos, corruptos religiosos e até gente possuída pelo capeta. Asylum falou de suicídio trazendo anjos negros à tona, falou do mal nativo pelo olhar de uma criança, fez todas as correlações possíveis com a cultura pop e tornou seu Dominique-nique-nique a coisa mais assustadora e memorável do ano. E fez isso com um texto brilhante, direções agressivas e com a capacidade impressionante de ser bela sendo louca.

American Horror Story: Asylum não foi apenas uma série, foi um poderoso tratado artístico de exploração humana, pelas vias mais brutais e delirantes que a televisão mundial já teve a chance de ver.

American Horror Story: Coven | Número de episódios em 2013: 9 | Texto por Arlane Gonçalves


Assistir AHS Coven é uma experiência totalmente bizarra para mim. Não me lembro de ter visto uma história tão alucinada quanto esta, nem tampouco imaginava que Ryan Murphy,o criador de Glee, era dono de uma mente tão... encapetada. Sério, de onde ele tira tanta coisa? Como ele consegue cruzar histórias tão absurdas e fazer tudo ter sentido?

O início dessa temporada, por exemplo, com Madame Delphine LaLaurie fazendo seu tratamento de pele com sangue de escravos, me causou arrepios. A sequência a seguir, onde vemos a tal senhora fazer valer seu título de dama do horror, foi apenas mais um conto de como os servos eram tratados pelos seus donos... Até que com o desenrolar da série ela cruzou o caminho das bruxas em pleno século 21 e tudo tomou uma proporção diferente, com uma amizade com uma negra e uma tortura por outra negra desmontando o monstro que ela é.

Marie Laveau também é outro personagem impressionante. Toda vez que Angela Bassett aparece na tela, por menor que seja sua participação, ela se destaca. Aliás, as atuações da série são outro trunfo dela. Kathy Bates, Jessica Lange, Sarah Paulson, e até Denis O'Hare, que mal falou 5 palavras, estão todos na medida para seus papéis. As atrizes jovens, apesar de menos experientes, também dão conta do recado. Tenho um apreço especial pela personagem de Taissa Farmiga (Zoe Benson), e acho fantástica cada aparição da fofíssima Nan (Jamie Brewer). Tenho que citar também o plot Franksteiniano de Kyle, interpretado maravilhosamente por Evan Peters (e seu trejeito de falar sem falar palavra nenhuma), e a participação macabra de Danny Huston como The Axeman. Estas são duas histórias que parecem totalmente aleatórias, mas que se encaixam nos dramas de Zoe e Fiona, respectivamente, e ainda remetem ao estados das personagens em Bitchcraft... só para citar um exemplo do quanto AHS é redondinha.

American Horror Story foi a série que mais me surpreendeu neste ano no sentido de ser a mais "What the fuck?!". Não é todo dia que a gente vê tanta criatividade, e eu parabenizo Ryan por isso. Admiro cada pedaço da história e mal posso esperar para ter mais dela.

5. Enlightened (HBO)

Número de episódios em 2013: 8 | Texto por Marco Aurélio


A presença de Enlightened na lista é inusitada (inclusive para mim), mas não deixa de ser merecida. A série começou tímida, sem saber para onde correr e ninguém a associava ao majestoso canal que lhe abrigou. Em seu segundo ano, sabe-se lá que tipo de macumba Mike White, criador da série e também integrante do elenco, apelou para reverter a situação. Da água para o vinho, onde a série falhava, passou a ser um ponto forte. E o que já tinha se consolidado como benefício ficou ainda melhor.

Para começar, a protagonista conseguiu encontrar um equilíbrio. As fases bipolares de crise de raiva e inacreditável calma (aquele jeito “zen”) se misturaram, e deram lugar a um misto dos dois. Agora ela é capaz de nos fazer rir com toda sua tranquilidade ao expressar raiva. Mas também tem uma capacidade perceptiva para nos fazer refletir. A série nos transporta para o mundinho dela, cheio de ideias utópicas e pensamentos ingênuos. Ela é quase um ET. Todos na empresa correm dela, não a suportam. Porém, foi nessa temporada que ela obteve o desempenho que esperávamos dela desde o começo. Porque Amy não tinha foco. A série não tinha foco. Quando, no final da temporada anterior, ela adota um objetivo, Enlightened ganhava uma trama novinha em folha e altamente promissora.

É aí que White, com todo esse poder nas mãos, cria a temporada que poderia ser um filme de tão regular que é. Com o seu habitual humor leve, a série constrói episódios redondinhos, levados por atuações aperfeiçoadas, que desenvolvem magistralmente a trama e seus personagens na medida certa, sempre adotando recursos narrativos diferenciados. E todo esse conto teve um final perfeito. Quer dizer, coerente, ideal. Uma história de uma heroína que tentou se meter com os milionários engravatados não poderia ter um final 100% feliz. Com tanta coisa boa acontecendo, foi fácil coroá-la como uma das melhores do ano. Não exatamente pelo lado cômico. Afinal, o que falta de comédia, a série compensa em originalidade e sensibilidade.

4. The Good Wife (CBS)

Número de episódios exibidos em 2013: 22 | Texto por Arlane Gonçalves


The Good Wife finalmente acordou, e foi esse despertar que a fez digna de aparecer ser considerada uma das melhores do ano. Ao mesmo tempo em que é magnífico ver uma série de tamanho potencial explorar-se devidamente, é triste reconhecer que a demora custou caro. Durante muito tempo, assistimos Alicia Florrick ser diminuída e reprimida, sem aproveitar ao máximo o que a protagonista poderia oferecer. Não sei vocês, mas desde o piloto de TGW vi que a personagem poderia ser facilmente classificada como uma das mulheres mais importantes da TV. Porém, hoje, após o delonga da 3ª e 4ª temporada, acredito que ela ainda terá um trabalho duro para alcançar o posto.

Contudo, Hitting the Fan foi um júbilo. Tremendo episódio que mostrou, finalmente, a merda ser jogada no ventilador. Alicia finalmente tomou uma atitude que a fez sair da zona de conforto, e em seguida vimos personagens aliados, como Will, tornarem-se seus antagonistas. Nada poderia ser melhor. Inclusive, a rivalidade fez nascer química entre eles, fator que não existiu quando estavam juntos. Agora, sim, o casal pode ser considerado uma saída viável para a Boa Esposa.

A ruptura fez com que cada um tivesse que escolher um lado. Isso criou um clima de tensão que perdurou nos episódios seguintes, e deve ser o tom até o fim da temporada. E é nesta conjuntura que vemos o melhor de Alicia. A Alicia que queremos. Competidora, desonesta, endiabrada. Ninguém quer uma Alicia conformada. Chega de lugar comum e a facilidade de apresentar apenas "bons casos semanais". Bons casos semanais qualquer série tem. E The Good Wife certamente não é qualquer série.

3. Spartacus (Starz)

Número de episódios em 2013: 13 | Texto por Arlane Gonçalves


A forma como mostraram Spartacus na última temporada foi a melhor possível. A história dele já estava determinada. A Starz não fugiria do seu dever nem invetaria "licenças poéticas". Estava claro para onde ela tinha que ir. Mas a forma como ela faria e moldaria seu caminho foi mais brilhante do que o esperado.

Spartacus foi exibido com um líder destemido e inteligente. Em seu caminho para a vitória, arrebanhando escravos da servidão, assistimos a trajetória de um homem que primava pela estratégia e tática de guerra ao invés do confronto imponderado. A partir daí, vimos sua queda pela diferença de pensamento e separação do companheiro de guerra Crixus, ponto crucial da última temporada que culminou no sangrento e inesquecível Separate Paths. Que cena magistral a de sua morte vista pelo olho de Naevia. Com certeza uma das mais bem feitas do ano.

O destino do protagonista, selado, foi abrilhantado pela presença do antagonista Crassus, interpretado com esmero pelo ator Simon Merrells, que soube vivenciar a crueldade e a brutal ambição de seu personagem. Definitivamente um dos melhores vilões do ano. Também devo citar a adição de Todd Lasance como Cesar, que teve um papel fundamental ao incrementar a atmosfera de traição e dissensão da temporada. Liam McIntyre, embora não tenha alcançado a plenitude de Andy Whitfield, conseguiu dar a precisão e graça que o protagonista precisava em seus últimos momentos. Foi linda suas últimas cena onde, embora fisicamente derrotado, ele morreu ciente da vitória em ter lutado pela liberdade.

Spartacus foi épica e de final imponente. Uma das produções mais bem feitas dos últimos anos, impecável em sua execução, e um banquete para os apreciadores de séries. Totalmente bela e inesquecível.

2. Sons of Anarchy (FX)

Número de episódios em 2013: 13 | Texto por Arlane Gonçalves


Sons of Anarchy nunca foi uma série de se conter. Kurt Sutter sempre primou pela ousadia e violência crua, características que o marcam como um dos melhores showrunners da atualidade. Mais do que isso, ele é inteligentíssimo. É só observar as raízes Halemtianas de SOA, e como a trama toma caminhos que se cruzam independentemente do quanto pareçam distintos.

Esta temporada foi mais um destes "caminhos". Ao dispor de um dos personagens principais, a série fez nada mais do que deveria, do que tinha que fazer. Faz parte do curso da história colocar um amor na vida de Jax e tirá-lo, afinal, é isto o que faz o que ele é, o meio em que vive, o que ele se tornou. Tudo simplesmente se entrelaça. Mas Kurt não faria nada disso sem arrancar o telespectador da cadeira. Não dá para assistir Sons of Anarchy calmamente. E se alguém esperava felicidade desta ou de qualquer outra temporada, deve ter percebido que não existe nada disso aqui. Assistir SOA é um sofrimento deleitante de sentir.

As atuações neste 6º ano foram a cereja no bolo da história. A de Maggie Siff estava magistral, e suas lágrimas na reconciliação com Jax foram a coisa mais linda da série até aqui. A marca da temporada e das ações de cada personagem, incluindo a louca da Gemma, foi a família. Este sempre foi o centro de tudo, e será também o centro do Series Finale ano que vem. Mesmo assim, não consigo imaginar o que o futuro reserva para os Filhos da Anarquia. Nunca consegui imaginar, e sempre terminei cada vez mais surpreendida e de pé aplaudindo a qualidade da série. Sei que não será diferente. E mal posso esperar para agonizar com o final dessa história.

P.S.: Assista Sons of Anarchy.

1. Breaking Bad (AMC)

Número de episódios em 2013: 8 | Texto por Arlane Gonçalves


Meu maior medo era que a finale de Breaking Bad não prestasse. Porque isso era fácil de acontecer. A série só evoluiu em sua trajetória, daí se Vince Gilligan resolvesse inventar pontas ao invés de fechá-las, já era. Para sempre nossa lembrança seria: Breaking Bad foi uma série perfeita de final ruim. A gente bem sabe que tem exemplares do tipo por aí.

Mas graças aos deuses do Olimpo, tudo correu bem. A série primou por fechar seus arcos e dar um destino coerente para cara personagem. Realmente, não era difícil de imaginar o que caberia a cada um deles. Especialmente Walt, que terminou se sacrificando, ainda involuntariamente, por aquele que mais destruiu. Mas o melhor anti-herói da atualidade não poderia “ser a justiça” sem antes fazer justiça, e o que vimos foi uma vingança épica contra aqueles que destruíram o sonho de Walter de deixar toda sua fortuna para sua família. Porém, mesmo assim pudemos vê-lo cumprindo parte deste sonho, ao mesmo tempo em que colocava duas nêmeses de sua vida em seus devidos lugares. Cena épica aquela dos lasers na cara de Gretchen e Elliot.

Também tenho que citar Ozymandias, o ápice do fim de Breaking Bad, e um dos episódios mais intensos da série. Nele pudemos ver também um dos momentos mais terríveis entre a família White, o momento em que a máscara do pai Walter finalmente cai, e que Skyler finalmente tem que escolher um lado... o que resultou na prova de que o protagonista estava realmente disposto a se sacrificar pelos seus, voltando à sua justificativa inicial para iniciar seu império de metanfetamina. A cena final, ao som de Baby Blue, a música perfeita para Walther White e seu grande amor azul, vai ficar para sempre na minha cabeça. Notável também o momento em que, antes de cair, ele olha para o tanque do laboratório, e uma imagem distorcida, parecida com Heisenberg, aparece. Simplesmente perfeito.

Breaking Bad foi inteligente, sagaz, extremamente surpreende, e soube a hora de se conter e se ater ao seu universo. Ela foi um exemplo raro de atenção aos detalhes, com referências muitíssimo bem trabalhadas. Ela foi despretensiosa. Foi inovadora. Foi um espetáculo que deixou muitas saudades e dificilmente será superado.


Menção honrosa: Luther. Protagonizada pelo brilhante Idris Elba, foi uma das séries mais elogiadas da BBC enquanto esteve no ar. Terminou com louvores neste ano após apenas 3 temporadas.

***

Meus sinceros agradecimentos aos brilhantes escritores que colaboraram comigo em
As 13 melhores séries de 2013
André Fellipe @andre_fellipee - Série Maníacos
Celso Landolfi - @CelsoLandolfi - Loggado
Henrique Haddefinir @Haddefinir - Série Maníacos
Leandro Chaves - @lechavecoLoggado

E um agradecimento em especial para Marco Aurélio Agnese,
pelas longas horas criando e fazendo as listas.
You are priceless.
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Postar um comentário Comentários via BLOGGER (8) Comentários via DISQUS

  1. Muito bom esse Top! Excelente texto (como sempre).
    Breaking Bad e Mad Men são tão perfeitas <3

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    Respostas

    1. Que bom que você gostou :smile:
      Valeu pelo comentário e feliz 2014!

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  2. Bob's Burgers <3 (Q culpa eu tenho se tenho uma paixão por essa animação ? ) hauhauaO'

    Eu concordo com AHS: Asylum, mas Coven? O.o
    Game Of Thrones :D (Série Suprema *-*)

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  3. Strike Back é uma das séries que eu não conhecia. Lendo sobre ela me chamou atenção...

    Breaking Bad é ótima! Mas ainda estou na segunda temporada, ^^

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  4. Series são produções que eu prefiro ver mais. E então não importa se eles são histórias passadas, se eu gosto eu tento vê-lo. Agora eu vejo a nova série brasileira O Hipnotizador, uma produção que gira em torno de um homem que usa enigmantico hipnose para revelar os segredos mais sombrios de seus pcaientes.

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  5. Injustiça Strike Back estar em oitavo lugar.É a melhor série da lista.

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