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Hard Candy (Menina Má.Com), 2005

Corre, Lobo Mau, senão a Chapeuzinho te pega! Hard Candy não é um filme para todos. Sua trama é bem focada e pode causar horror, seu ...


Corre, Lobo Mau, senão a Chapeuzinho te pega!

Hard Candy não é um filme para todos. Sua trama é bem focada e pode causar horror, seu enredo é simples e prático, e o filme é um thriller cheio de suspense.

Atenção: spoilers.

A premissa gira em torno de uma garota de 14 anos, Hayley Stark (Ellen Page), que rastreia um pedófilo de 32, Jeff Kohlver (Patrick Wilson), e usa de sua fértil imaginação para fazê-lo pagar por todos os seus pecados. É lindo. Ela o castra, o tortura psicologicamente, o faz cometer suicídio. Para quem gosta de histórias apimentadas de vingança (como eu!), Hard Candy é um prato cheio.

A alusão à história da Chapeuzinho Vermelho é perfeita. Embora, aparentemente, não tenha sido esta a intenção inicial dos produtores, o capuz vermelho de Hayley e sua ingenuidade ao confiar em um desconhecido remetem à Chapeuzinho. E o fato de Jeff ser um predador nato, que faz o que faz "por natureza" -- ele não só acha que não fez nada de errado com tem justificativas para seu desvio comportamental --, o equipara ao Lobo Mau.

O filme dá, então, vida ao ditado "Um dia da caça, outro do caçador". O Lobo Mau nem sabe, mas ele não é o predador da história, não dessa história. De predador ele passa a presa, e cai bonitinho na armadilha, ou melhor, nas armadilhas da menina alegre, dançante e inocentemente sensual que conheceu pelos cantos da internet.


Eu esperava que Hayley tivesse uma razão específica para sua vingança. Esperava que fosse irmã ou amiga de alguma vítima de sua presa. Mas, talvez por causa da inspiração de David W. Higgins (produtor que teve a ideia do filme), sua vingança foi "ampla" e a personagem estava lá representando todo o mal que ele já fez, sendo, então, uma vigilante.

A inspiração de David veio de uma notícia sobre uma gangue de garotas do Japão. Elas atraiam executivos mais velhos para determinado local, com flertes e a promessa de "conversar". Porém, assim que chegavam lá, eles eram assaltados e estrangulados pela gangue. Aí, David pensou: E se a pessoa que você espera que seja o predador não é quem você espera que seja? E se for a outra pessoa?. Então ele chamou o escritor Brian Nelson para elaborar o roteiro.


O roteiro, em conjunto com a direção (a cargo de David Slade), deixou o desenvolvimento muito perspicaz, fazendo tudo a seu tempo. No começo fiquei meio impaciente, pois parecia que aquele flerte nunca ia acabar. Engraçado que, diferente de muitos filmes e séries onde o vilão fica fazendo cara de "mau" quando sua vítima não está olhando, Hayley segurou sua atuação todo o tempo, até o momento que Jeff caiu completamente apagado no chão.

Enquanto ela procedia com a castração, fiquei comemorando a vingança épica, à altura dos crimes do pedófilo. Mas quando descobri que tudo não passava de armação, fiquei mais encantada ainda. Quer tortura psicológica mais maéstrica que esta? Isso, claro, porque aí ficou evidente que ela não tinha acabado. Depois de tanto esforço para fingir uma operação, era certo que ela não sairia dali sem fazer o que realmente tinha ido fazer.


E é aí que descobrimos seu master plan. Toda a atuação não passava de uma forma de convencê-lo sobre a capacidade de persuasão dela. E como se ela realmente fosse uma vigilante, é fácil de notar que ela "previu" os passos dele mesmo quando parecia que ele controlava a "reviravolta".

No final, provando cada vez mais a astúcia de Hayley, o plano original se revelou como uma forma de expor o Lobo Mau e acabar com ele de uma vez por todas, sem implicar a presença de Chapeuzinho Vermelho. Mas o roteiro também deixou uma isca de suspense, representada pela participação rápida de Sandra Oh, como a vizinha que vê o rosto dela e pode, eventualmente, dar pistas sobre ele depois.

Todavia, a história se fecha antes disso, com Hayley Stark (olha o sobrenome de outro vigilante aí) caminhando para longe de mais um corpo de pedófilo persuadido por ela a se matar. Um final misterioso totalmente congruente com a personagem. Acabamos não descobrindo nada sobre ela, o que a faz, de fato, apenas a representação das vítimas de suas vítimas.


A atuação de Ellen Page foi tremendamente elogiada. Mas o que me chamou a atenção mesmo foi a performance de Patrick Wilson. Ele teve que intercalar momentos de desespero, calma, vitória e derrota num loop muito rápido. Ellen teve apenas que manter a "harmonia" de sua personagem em duas situações distintas: como ingênua e como vingadora. Grande parte da personalidade misto de horror com doçura se deve ao roteiro, não estava difícil para a atriz interpretar. Na verdade, às vezes ela até me pareceu inexpressiva. Agora Patrick não. Ele sim teve que se desdobrar em emoções e altos e baixos. Para mim, esta sim foi a melhor atuação do filme.

Uma outra coisa a se destacar são as cores. É perceptível que as cores fortes foram intencionais nas cenas, sendo usadas para evidenciar os estados dos personagens. Quando Hayley estava brava, por exemplo, as cores foram editadas para serem de baixa frequência.

Hard Candy não é indispensável. Pela "peculiaridade" de seu roteiro ele já reduz bastante seu público, mas não deixa de ser uma história interessante e muito bem executada. Pela simplicidade dele (a maior parte é feita em um cenário só), já podemos concluir que o filme foi de baixo orçamento. Para evitar que o estúdio fizesse alterações no script, o orçamento foi mantido em menos de 1 milhão de dólares. Tal montante foi bem recompensado, uma vez que a bilheteria atingiu cerca de 7 milhões em todo o mundo.

Nada como uma mulher sem limites e com as motivações certas.




Duração: 104 minutos
Melhor quote: Eu não devia ter zoado com você desse jeito. Não devia ter deixado você pensar que tinha como sair dessa.
Nota para Hard Candy: 8,0
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