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Primeiras Impressões: Chicago P.D. (NBC)

And if you ever go over my head, it'll be the last head you go over.


And if you ever go over my head, it'll be the last head you go over.

Chicago P.D. é mais um procedural policial, e apenas isso. Todavia, dizer que ela é "mais um procedural policial" não é apontar um defeito ou demérito. Esta é realmente a intenção da série, e ela alcançou seu objetivo com classe, talvez até com muito mais aptidão que várias outras de seu gênero.

Chicago é spin-off de Chicago Fire, da qual só vi o piloto porque é estrelada por Jesse Spencer (que eu adorava em House). Portanto, não sei avaliar a extensão do quanto ela é realmente um spin-off, nem o envolvimento do sargento Hank Voight na história da série-mãe. Então, nesta review analisarei apenas o produto Chicago P.D. em si, fazendo observações sobre seus personagens e enredo.

O protagonista

Hank Voight (Jason Beghe) é o típico policial anti-herói. Ele está pouco se lixando para as limitações impostas pelo seu distintivo. Em suas atitudes suspeitas -- e fora da lei -- para fazer o que é "certo", ele se assemelha muito com House, que não poupava esforços para invadir a vida de seus pacientes a fim de descobrir seus segredos e mentiras para tratar suas doenças. Na personalidade ranzinza e na má aceitação de autoridades superiores, ele também lembra House. Contudo, na maior parte do tempo, Hank me pareceu hostil. Nem sempre dava para enxergar o "certo" que vinha de suas ações escusas, e teve hora que eu tive plena certeza de que ele é um policial corrupto. Mas isso, a gente sabe, é recurso que o roteiro usa pra deixar o telespectador curioso e indignado. Afinal, ele não vai gostar de ver um protagonista mal, e vai ficar curioso pra ver quando finalmente a bondade do sargento se mostrará suprema sobre tudo o que é suspeito.

O carisma de Jason não é um ponto muito forte, embora seu personagem seja daqueles de "conquistar com o tempo", ou seja, você passar a gostar dele só depois que descobre a doçura que se esconde atrás daquela cara de vilão. Hank salvando o garotinho que testemunhou contra Pulpo já é um indício do que acabamos de falar, e é óbvio que a tática deu certo. Outro momento que me levou a simpatizar bastante com ele foi depois da morte de Jules, quando ele atacou o policial-barata-descascada que estava brincando de pique-esconde com as informações. Mas aí, convenhamos, estava fácil. Qualquer ser humano teria exatamente a mesma reação.

A presença de Sophia Bush

Muito se falou da presença de Sophia na nova série, e os fãs de One Tree Hill foram ao delírio. Vi o trabalho da atriz apenas em Partners e agora em Chicago, e posso dizer que sua atuação é apenas superficial. Além disso, ela parece interpretar variações de um mesmo personagem, que é sempre a moça linda, cortejada e com um pouco de mistério. Aqui já foi fácil de identificar quem será seu par romântico, especialmente depois daquela cena infantil dele brigando por causa dela. Não duvido que no "futuro" a personagem se dê conta de que seu imprudente parceiro Jay Halstead (Jesse Lee Soffer) quer mais do que uma bela amizade. Porque é quase sempre assim: está óbvio até para criança de 1 mês, mas a moçoila só descobre depois da galera toda.

Em relação ao seu passado com Hank, está aí a pitada de mistério que faltava para completar a personalidade da jovem. Ele é uma figura paterna ou os dois têm até uma faísca a mais, quem sabe. Aquele que viver e assistir, verá.

Os demais personagens

Aparentemente, a morte de Jules servirá para que a ruiva Kim Burgess (Marina Squerciati) possa entrar no time. E também para dramatizar um pouco, claro. Nada como uma morte cruel no piloto, ainda mais se for de uma personagem que todo mundo gosta à primeira vista.

Antonio Dawson (Jon Seda) é o que vem logo abaixo do protagonista, então dá pra esperar um destaque grande sobre ele, como pode ser visto na cena onde seu filho é sequestrado. Ele possui toda aquela "vibe de honestidade" acima de tudo, então provavelmente ele não tem total conhecimento sobre os desvios de personalidade do chefe. Pode estar aí uma possível brecha para uma rivalidade entre os dois no futuro.

Adam Ruzek (Patrick Flueger) é o novato que chega com cara de ser bom demais... bom demais pra ser verdade. Muito afoito e corajoso, logo deve colocar as asinhas pra fora. Ou vai competir com alguém na unidade, ou vai se candidatar a dar uns pegas na personagem da Sophia. Ou os dois. Jay -- que levou bronca do chefe já no piloto e vive amarelando na hora de se declarar pra parceira -- se encaixa no perfil das duas vítimas.

O vilão Pulpo já apareceu mostrando seus requintes de crueldade para incrementar a "base de choque" da série. Suas ligações colombianas refletem, mais uma vez, a necessidade dos americanos de demonizar seus inimigos. Toda santa série tem que ter um inimigo estrangeiro, de um país que não está fazendo amor com os EUA. E, por incrível que pareça, é este inimigo o único capaz de vis crueldades, vide a hora que mencionam o fato de Pulpo ter "aprendido uma coisa ou duas enquanto estava na Colômbia". Puro clichê.

Conclusão sobre Chicago P.D.

Não voltarei a ver a série. Entendo sua proposta e acho que ela se saiu bem, possuindo até diálogos rápidos e agilidade na trama. Mas já vi MUITO do mesmo. Por mais "ousada" que ela seja, as histórias e os personagens são aqueles que estamos carecas de ver, a diferença é que ela está disposta a causar um pouco mais do que suas colegas policiais. Entretanto, isso não acrescenta nada. Inovação é inovação, choque é choque.

Há outros personagens e plots além dos citados aqui, mas nem tudo me chamou a atenção ou me pareceu interessante. Mesmo assim, reconheço que, para quem gosta do gênero, e principalmente para quem gosta do gênero e gosta de Chicago Fire, está aí um prato cheio.

Vale ressaltar que a NBC deve estar abrindo champanha pelos números da audiência na estreia: 2.0 no demo e 8,59 milhões de telespectadores. O criador da série é o produtor de Law & Order, Dick Wolf, então já dá pra sentir que a intenção aqui é ter a vida mais longa possível. Se continuar agradando a plateia, não vai ter erro. O público que gosta do bom e simples procedural policial irá ao delírio com um que gosta de chocar.


O melhor: A vibe Game of Thrones da série.
O pior: Ser o basicão do procedural policial.
Melhor quote: 10% percent of the cops do 90% of the work.
Nota: 5,0
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Postar um comentário Comentários via BLOGGER (5) Comentários via DISQUS

  1. Na verdade, ja foi dito várias vezes pelos produtores que não é uma série procedural. Acho que isso faz de Chicago PD uma série diferente, com toda aquela ação dos procedurais, mas com histórias mais prolongadas e que se envolvem com a vida pessoal dos personagens. Eu particularmente não gosto muito de séries policiais, mas gostei muito de Chicago PD. Realmente me surpreendeu e me deixou MUITO ansioso pela continuação. Dick Wolf sabe mesmo prender a atenção dos telespectadores.

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    1. Oi, Hebert!
      Tem algum link com um entrevista deles comentando isso?

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    2. Tem algumas outras, mas como estão em tweets antigos eu achei só essa aqui. Mas fala um pouco

      http://www.suntimes.com/entertainment/24340424-421/chicagos-finest.html

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    3. Valeu pelo link, Hebert. :smile:

      Poxa, então se os caras falaram isso, os reviewers estão loucos rs.
      Olha, encontrei várias referências à série chamando-a de procedural: Entertainment Weekly, Huffington Post, The Wall Street Journal, Chicago Tribune, Kansas City Television. Não sei por qual razão, não sei é pelo formato apresentado, por ser policial, por ter personagens típicos, enfim, eu tive a impressão de que é um procedural. Pelo que eu entendi do que os produtores falaram, eles vão se focar mais na vida dos personagens do que as outras séries policiais, que se atentam mais aos casos da semana. E por isto ela não será simples procedural.

      De qualquer forma, é aguardar pra ver. Nessa confusão, só o desenvolvimento da série vai mostrar pra qual lado ela vai de verdade.
      Mais uma vez, OBRIGADA pelo link e obrigada por chamar minha atenção para o fato. Vou ficar de olho nas notícias sobre o andamento de Chicago P.D. Quem sabe ela não seja diferente e me interesse depois? :shy:

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  2. Ótimo texto, Arlane.

    Assim como você eu assisti a esse primeiro episódio sem saber nada de Chicago Fire. Depois assisti ao segundo. Alguns personagens de Chicago Fire aparecem e isso fica um pouco confuso, pois não conhecia nada de CF. Então fui assistir CF (atualmente na segunda temporada) e simplesmente me viciei nela. Não é uma maravilha de série, mas assistindo um episódio atrás do outro funciona bem.

    Para ilustrar um pouco o que acontece em Chicago PD, sem entregar spoilers, é que há sim uma grande ligação entre as séries. O detetive Voigh aparece no começo de Chicago Fire causando MUITO. O Antonio é irmão da Gabriela, uma das paramédicas de CF, ele também fez várias aparições em CF e conhece sim esse lado negro do Hank. Mas há outros mistérios por trás dos atos dele e contar isso seria entregar muito a história.

    Quanto a personagem da Sophia Bush, me parece que a relação dela com Voigh é mais paternal mesmo do que qualquer outra coisa. E o colega policial teve um caso com a irmã paramédica do Antonio. Eu ainda estou no começo da segunda temporada, então não sei o que mais há ligando as duas séries além do que já vi até agora, mas com certeza há algo mais nos episódios mais próximos da estréia de Chicago PD. Os números de audiência continuam bons e é certo que a série terá um bom futuro na NBC.

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