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Primeiras Impressões: Looking (HBO)

Alguém está ensinando a HBO a fazer comédias mais leves.


Alguém está ensinando a HBO a fazer comédias mais leves.

Antes mesmo de ver Looking, já li comparações chamando-a de "Girls de homossexuais". Contudo, se for pra comparar mesmo, Looking é bem mais leve, despretensiosa e "cômica" que Girls. A novata ainda não é aquela coisa de sentar, relaxar e se preparar para umas risadas gostosas, mas dá de lavada na sua conterrânea no quesito diversão.

Na verdade, a estreante se parece com outra comédia da HBO: Sex and the City. Ela é bem mais urbana e adulta que Girls, o que a traz pra mais perto da série sobre as cinco mulheres e suas tentativas de desbravar e sobreviver a New York. Esta que vos escreve também não é muito fã de Sexo e a Cidade, mas enxergo como um elogio ver Looking como uma Sex and the City masculina. Faz muito mais o tipo.

O que mais gostei na estreante foi sua capacidade de flertar com o telespectador. Dane-se se você é gay ou não. Em algum ponto de sua ínfima existência você se perguntou: por que minha vida amorosa tem dado tão errado? Seja depois de ir a um encontro desastroso, seja antes de ligar para o pior ex do universo (MUITO ciente de que vai levar na cara), seja depois de ver que você não tem nada a ver com sua atual companhia. São coisas que todo-santo-mundo passa.

Por isso, óbvio, ficou fácil gostar dos protagonistas. Eu poderia ter longas conversas com Patrick (Jonathan Groff), Agustín (Frankie J. Alvarez), e Dom (Murray Bartlett) e trocar ideias sobre as muitas burradas e felicidades que cometemos. Só não me identificaria com o (quase) infalível poder de charme e sedução de Dom (meu pedido para o Papai Noel em 2014), e com a sorte danada do perdidíssimo Patrick de encontrar um cara tão legal no ônibus... logo depois de ser chutado por outro (péssimo) que mal conhecia. Mas eu me identificaria facilmente com a necessidade de Patrick de observar sempre o que as pessoas, especialmente o parentes mais chegados, pensam e esperam da gente. A vida -- a minha, a dele e a sua -- seria bem mais fácil se a gente mandasse a opinião alheia para o quinto dos infernos.

Então dá para ver que o grande ponto de Looking é este: mostrar que o universo gay é exatamente o mesmo que o universo hétero. Tenho quase certeza que acho essa distinção bem idiota, porém o fato é que ela existe. E a série capta muito bem este cenário. O que talvez ela tenha captado demais, no entanto, é o número de gays per capita. Possivelmente seja pelo fato de ser ambientada em São Francisco, Califórnia, mas confesso que fiquei surpresa com o tanto de gay que apareceu. Assim fica fácil demais, uai.

Não posso deixar de fazer uma comparação com The L Word (2004-2009), a série lésbica do Showtime. Ela certamente era bem dramática, e portanto mais "pesada" que a nova colega. Mas, desconsiderando a problemática do gênero, considero que Looking possui personagens mais atraentes e "gostáveis". Com certeza vejo mais verossimilhança em Patrick, Agustín e Dom do que nas ladies de Los Angeles. Contudo, claro, isso é uma questão de realidades.

Partindo para a área dos defeitos -- e, sim, Looking os tem -- o piloto teve lá seus momentos de chatice. Não chato no sentido de irritante, mas de tedioso. Entendo que "fazer rir" não está nos planos da HBO. Claramente, a intenção do canal é fazer diferente, ser mais cabeça, mais reflexiva em suas comédias. Entretanto, não sou a telespectadora para tal perfil. Não procuro uma comédia pra refletir nem ver longos diálogos sobre a vida e relacionamentos. Comédia, para mim, é para relaxar (pode me chamar de medíocre ou qualquer nome à vontade... eu não me importo). É para soltar as grandes gargalhadas que meu dia não me permite.

Para quem gostou e aprecia o estilo eite-biônico de ser, Looking é um prato cheio. Tem bons atores, ótimos personagens, boa história, algumas boas sacadas, e pode até render momentos de descontração. O que ela terá muito, sem dúvida, é aquele momento de você olhar, apontar para a tela e dizer: eu já fiz isso! Ei, eu já passei por isso!

E depois você vai ficar rindo de si mesmo, comentando sozinho sobre como é bom ver na série a sua história.

Looking é criação de Michael Lannan, que se baseou em seu curta-metragem Lorimer (2011). Os produtores executivos são David Marshall Grant (Brothers & Sisters, Smash), Sarah Condon (Bored to DeathThe Red Road), Andrew Haigh (The Count of Monte CristoThe Good Night). E ainda conta com a produção de Kathy Landsberg, que era a produtora da fofa e saudosa Jane by Design.

P.S.: A audiência de estreia foi baixa: apenas 338 mil telespectadores. Mas a HBO é a personificação da paciência e já reprisou o episódio trocentas vezes... alcançando 606 mil.

O dilema do século...

 

E, sim, deu uma invejinha...

 

O melhor: Os três personagens principais. E Patrick ser um total messed up.
O pior: É mais reflexiva do que engraçada.
Melhor quote: Colocarei minha energia positiva no seu universo. [ÓTIMA sacada da língua inglesa]
Nota: 6,9
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Postar um comentário Comentários via BLOGGER (2) Comentários via DISQUS

  1. Cadeia HBO apoiar a diversidade e nos surpreende por seus súditos, e desta vez fazê-lo com o looking, eu vi o trailer e me chamou a atenção, parece interessante e divertido desta série.

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  2. No Pausa Dramática​: Poucas vezes uma série retratou seu público de forma tão fiel e fez com que ele se identificasse tanto com seus personagens: ‘Looking’ e uma crônica de identificação televisiva http://wp.me/p3hh9U-4ZH

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