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Primeiras Impressões: True Detective (HBO) - 1x01 e 1x02

Uma série policial nos moldes da HBO.


Uma série policial nos moldes da HBO.

Tive que assistir a dois episódios de True Detective antes de escrever sobre ela. Tudo o que consegui ver no piloto foi a pretensão da série, e bem lá longe sua verdadeira qualidade. Quando eu assisto algo novo, a primeira pergunta que me faço é: o que isso traz de novidade, afinal?

Com True Detective a resposta veio vazia.

O fato é que a nova aposta da HBO vem cheia de repetições do gênero. Sim, todo seriador que tenha visto pelo menos 4 séries policiais/investigativas na vida já viu a receita da estreante. Personagens, história, até a trilha sonora carregada de suspense. Não tem segredo. Além do mais, o grande ponto é descobrir quem matou Dora Lange. Coisa que só de ler uma review ou ver a Season Finale dará a resposta. Inconveniente, mas verdade.

Por outro lado, TD tem seu méritos. A atuação de Matthew McConaughey, por exemplo, é um deles. Eu não a chamaria de espetacular porque já vi tão boas quanto e até melhores... porém o fato é que está sendo des-lum-bran-te ver MATTHEW MCCONAUGHEY fazer o que está fazendo. Até dias atrás, sua especialidade era comédia romântica ao lado de Kate Hudson (que agora ficou sem par). Hoje o cara está mandando ver na atuação, abocanhando elogios devassos (de gente que provavelmente o menosprezou no passado) e pilhas de prêmios. É claro que está surpreendendo.

E o que também me surpreende é vê-lo numa série... na HBO! Sério, como isso aconteceu?

Rust Cohle é o lugar onde McConaughey pode exercitar seu lado louco, no entanto, ele não é tão revolucionário assim. As falas "absurdas" do piloto são semanticamente idênticas à de Temperance Brennan, personagem de Emily Deschanel em Bones. Não estou brincando. As mesmas palavras, a mesma ideologia, a mesma ausência de crença... tudo. Idêntico. Se tivesse um crossover, os dois se descobririam almas gêmeas. O comportamento alheio ao todo lembra bastante Will Graham, e a soberba remete à Sherlock e House (que também alucinava). A história sofrida? Todo anti-herói precisa de uma.

Já Martin Hart (Woody Harrelson) me lembrou de Tony Soprano, seja pelo jeito fuck off de ser, seja pela nojentíssima forma como ele enxerga família e casamento. Mas, por incrível que pareça, encontrei mais novidade nele que em Rust. A interpretação de Woody é bem leve, condizente com o espírito de Martin e sua personalidade comum-não-tão-comum, inteligente-mas-nem-tanto. E não fosse o fato do detetive achar que seus entes queridos só prestam para servi-lo, eu até o respeitaria.

O interessante nele, ou melhor, nos dois, é a alternância do ego bom e mau. No 1x02 acaba-se revelando que grande parte da "maldade" de Rust vem das agruras da vida e de seu pedregoso caminho dentro da polícia. Aí ficou bem mais fácil simpatizar com ele. Enquanto isso, Martin pode até ser o marido mais canalha do mundo, mas é capaz de se sensibilizar ao ver uma menor de idade se prostituindo. Os dois juntos funcionam basicamente bem, e certamente nos causa curiosidade a razão da separação deles. Será que foi pelas coisas que Maggie (Michelle Monaghan) não "podia" descobrir?

O fato de True ter tido muitos elogios não me assusta. Ela é da HBO, e geralmente é assim que as coisas funcionam. Entretanto, para mim que já vi e vejo várias séries do gênero, a impressão foi outra. A exacerbada lentidão, a repetição das longas falas filosóficas, as constantes filmagens das paisagens... pareceram papéis de presente muito bonitos para um presente que eu já tenho.

A lentidão, aliás, não é sinônimo de qualidade. Ela PODE ser um fator que propicie um desenvolvimento melhor. No 1x02, por exemplo, levou-se 58 minutos para chegarem à tal igreja, que estava sendo mencionada desde os minutos iniciais. Isso é mesmo necessário? Mesmo que seja por estética, marca, vontade de ser cult... é mesmo necessário? A lentidão em si nunca vai me impressionar numa série. É imprescindível que haja algo novo, surpreendente o suficiente para preencher a lacuna do tempo. Ou então não haverá nada que grude os meus olhos na tela.

O que me deixou encucada, contudo, foi a história não me dar nenhuma pista sobre seu futuro. Não consigo imaginar como vai se desenrolar a ligação entre os assassinatos, e como vão linkar 1995 aos dias atuais. O que eu sei, e que é MUITO bom, é que não vão prolongar a vida de Rust e Martin mais do que o necessário. A resolução se dará na Season Finale (oitavo episódio) e ponto. Cada temporada terá novo elenco e narrativa. A HBO e os produtores merecem ser aplaudidos de pé pela (rara) atitude anti-enrolação.

Para quem vai acompanhar episódio por episódio e não dispensa uma série ancorada em bases estéticas, é claro que True Detective vai saciar (e bem!) o apetite. A série peca na ausência de identidade, mas no quesito "marca HBO" ela enche os olhos de qualquer um. Isso sem contar que tem Alexandra Daddario como Lisa Tragnetti dando um show de... atuação. Também vale ver True Detective pelas virtudes da moça.


Para mais GIFs da cena, é só clicar aqui.

True foi criada por Nic Pizzolatto (The Killing), que escreveu todos os episódios e atua como showrunnerCary Joji Fukunaga (Sin Nombre) dirigiu os oito episódios. Os dois são produtores executivos juntos com Matthew McConaughey, Woody Harrelson, Steve Golin (Babel), Richard Brown (44 Inch Chest), Scott Stephens (Enlightened, Deadwood).

P.S.1: Será que Nic Pizzolatto tinha a intenção de criar sua própria The Killing?

P.S.2: Espero que tenham feito um seguro para os pulmões de Matthew ou tenham pago um salário maior pra ele. Certeza que ele terminou True com câncer.


A melhor cena:

 
 

Outra melhor cena:

 
 
 

Sorry, Martin, a gente sabe que toda brincadeira tem um fundo de verdade...



O melhor: A possibilidade de explodir cabeças no final da história.
O pior: É mais pretensiosa que inovadora.
Melhor quote: And old men die, and the world keeps spinning.
Nota: 6,7
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Postar um comentário Comentários via BLOGGER (5) Comentários via DISQUS

  1. Arlane depois da rasgaçao de seda que tenho visto na midia foi um alento ler seu texto. Mas confesso....nem se a HBO me pagar verei o segundo. O primeiro ja foi um sonifero pra mim.
    Beijao...
    Mary

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    Respostas

    1. Oi, Mary! Muito bom ter você por aqui!

      Olha, eu ainda pretendo ver a Season Finale dependendo do que eu ouvir por aí.
      Pretendo... e nem sempre quando eu pretendo eu tenho coragem kkk

      Beijocas!

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  2. Arlane, vc abandonou a série? Não viu mais nada?

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    Respostas

    1. Assisti somente a Season Finale, Elizabeth.
      E achei relativamente fraca para a proporção do drama que propunham.
      Você viu a temporada toda? Gostou?

      Excluir
  3. Muito bom, uma série da HBO, que conseguiu o que poucos, a se tornar um dos melhores de sempre. Espero que a segunda temporada de valor.

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