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Primeiras Impressões: Rake (Fox)

Cadê a série boa que estava aqui?


Cadê a série boa que estava aqui?

Rake possui uma premissa e um potencial no mínimo interessantes. Não é de hoje que histórias sobre pessoas talentosas e autodestrutivas formam uma receita praticamente infalível. O público se interessa e se simpatiza com o anti-herói em sua turbulenta jornada de busca incessante pela redenção e reparação.

Logo, se a premissa é o garfo e o potencial é a faca, me pergunto onde é que está o grande banquete de Rake. O piloto da série se arrasta numa apresentação chata e forçada dos personagens, diálogos sem graça, e um protagonista que parece tentar agradar demais, sorrir demais, atuar demais. A cada minuto que eu via Greg Kinnear rodopiando na tela, eu me lembrava de Hugh Larie (House), cuja caracterização como anti-herói fluía tão naturalmente que ele parecia ser mesmo o personagem que interpretava.

Se o personagem de Greg é naturalmente "pronto" para ser interpretado, mas é a atuação dele que peca, o mesmo não se pode dizer do prefeito Marcus Barzmann (Damon Gupton). Que personagem esdrúxulo. Ri DEMAIS na cena em que ele ameaça diretamente o protagonista, num ato que nem sei explicar o quanto foi idiota. Penso assim provavelmente porque estou acostumada à cara lavada dos políticos e às suas mentiras mirabolantes acompanhadas de sorrisos mais mirabolantes ainda. Marcus claramente precisa de aprender umas técnicas com os honestos políticos brasileiros. Amigo, não se ameaça uma pessoa assim. E se ele tivesse te gravando? Afinal, ele não estava expondo as sujeiras da sua administração? Quanto de incentivo você deu para ele prosseguir com a investigação ao se declarar hostil? A hostilidade aí saiu pela culatra e te mostrou vulnerável!

Que prefeitozinho burro. Por que ele não fez igual ao Lula e apenas repetiu para Deus e o mundo: eu não sei de nada?

Ben Leon (John Ortiz) e o medo da esposa Scarlet (Necar Zadegan) eram para ser um alívio cômico, mas ficaram apertando tanto essa tecla que ficou foi maçante. Roy (Omar J. Dorsey), o cobrador-amigo, funcionou melhor pela espontaneidade com a qual ele vai de amigão a valentão. A cena dele surrando Rake do nada, e a dele sendo "seduzido" pela carne de peixe foram ótimas.

Colocar Scarlet e Rake como inimigos no processo que abre a série foi uma ideia interessante (finalmente). Funciona quase como mostrar dois personagens muito distintos e competidores no trabalho para depois revelar que são casados (vide Covert Affairs). Uma consequência desse plot será o constrangimento que se seguirá à medida que Rake for fechando o cerco na polícia e na prefeitura. Se no piloto já sugeriram para Scarlet "pedir para o amigo" quietar o facho, imagina quando a coisa estiver realmente feia.

E isso vai, ou melhor, tem o potencial para culminar em grandes plot twists, colocando em risco a amizade do trio Rake-Ben-Scarlet, e claro, a moradia de Rake. Mas sendo um pouco realista aqui, a série vai precisar de coragem, justamente o inverso da preguiça que mostraram aqui. O piloto foi muito cômodo, tendendo mais para a dramédia do que para uma trama mais profunda e inteligente. Estou ciente que a novata é uma dramédia, mas... Será que com tanto a explorar vão ficar apenas tentando fazer o telespectador rir?

Voltando à parte dos defeitos (saímos dela?), Rake e seu interesse amoroso por uma prostituta foi bem... previsível. Seu vício em jogo? Blá. Só sei que se queriam surpreender com isso, erraram. Rake pode até (querer) ser um anti-herói autodestrutivo nato, porém previsibilidade demais mata qualquer naturalidade. Cadê a criatividade, meu povo?

Antes de terminar, eu gostaria de fazer uma comparação entre Rake e House. House claramente se tornou um expoente do tipo, seja pela construção do personagem, seja pela execução do ator. Enquanto este era mais inteligente do que autodestrutivo, aquele é mais autodestrutivo do que inteligente. Porque provar a inocência e a culpa de alguém baseando-se apenas em "estilo de escrita" obviamente não é sinal de inteligência. Ainda mais para mim que fiquei esperando pelo momento WOW de vê-lo mostrar sua capacidade de raciocínio sobre-humana. Erro de ortografia... sério?

House era convicto de sua personalidade má. A série House era convicta da personalidade má de seu protagonista. Rake não sabe para onde está indo. Ao mesmo tempo em que coloca seu protagonista para repetir (trocentas vezes) que é o rei do egoísmo, faz ele negar ser narcisista... e ainda aparentar ser carismático.

Não deu certo. Não colou. Não é assim que se faz.

E mais uma vez, uma novata da Mid Season sambou feio e foi desclassificada. Pode (pode?) ser que Rake crie a coragem e a vergonha na cara que precisa, mas eu não terei coragem para ver. A preguiça dela me contagiou. Além disso, a audiência de estreia também não contagiou o público com vontade de ver a série: 1.7 de demo e 7.06 milhões de telespectadores. Vale lembrar que a tendência é sempre de cair, portanto, se o começo já foi modesto, as chances de fazer sucesso são bem escassas.

P.S.: Rake é um remake de uma série homônima australiana. O Rake australiano encontra-se, atualmente, com data de estreia de sua 3ª temporada prevista para 9 de fevereiro de 2014.

O melhor: O potencial que teoricamente ela tem.
O pior: É lerda. É preguiçosa. É chata.
Melhor quote: Come on, Kee, where's your dignity?
Nota: 5,0
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